A língua 'secreta' dos mineiros da cidade de Carlos Drummond
Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na região central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.
A língua ‘secreta’ dos mineiros da cidade de Carlos Drummond A Guinlagem do Camaco é uma linguagem secreta que surgiu no início do século XX em Itabira, Minas Gerais, criada por trabalhadores de minas para se comunicarem sem serem entendidos pelos patrões. Baseada na inversão de sílabas, a linguagem serviu como forma de resistência e identidade para populações subalternizadas. Hoje, com a iminente paralisação das minas, o Camaco é visto como um símbolo de resiliência e um potencial caminho para a reinvenção cultural da cidade.
- A Guinlagem do Camaco é uma linguagem ‘secreta’ que surgiu em Itabira, Minas Gerais, no início do século XX, criada por trabalhadores de minas.
- Seu princípio é inverter os fonemas das sílabas das palavras para tornar a comunicação ininteligível para quem está de fora, como forma de resistência contra os patrões, muitos deles ingleses.
- A linguagem evoluiu das minas para as ruas, sendo utilizada por jovens e em contextos familiares, servindo também como forma de organização para greves e pedidos de aumento.
- O Camaco é considerado um patrimônio cultural imaterial de Itabira e, apesar de ter poucos falantes hoje, é visto como um símbolo de resiliência e inspiração para o futuro da cidade diante da crise econômica causada pelo fim da exploração do minério.
- Apesar de coexistirem na mesma cidade e período, não há registros de Carlos Drummond de Andrade ter falado ou citado o Camaco em suas obras, possivelmente devido à desvalorização social da linguagem na época. https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/06/a-lingua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-de-carlos-drummond.shtml
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