Opinião
Pesquisador do BTG Pactual e do FGV IBRE e doutor em economia
Opinião A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pelo investimento e construção civil, contrastando com a desaceleração do ano anterior devido a políticas fiscais e monetárias contracionistas. Apesar do impulso eleitoral e de programas de estímulo, o país enfrenta inflação crescente e juros elevados, limitando o espaço do Banco Central para cortes e indicando uma reversão cíclica após as eleições.
- A economia cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, recuperando-se de trimestres anteriores de desaceleração.
- O investimento (3,5%) e a construção civil (2,9%) surpreenderam positivamente, enquanto a indústria de transformação avançou apenas 0,1%.
- Políticas fiscais contracionistas em 2025 e o encarecimento do crédito afetaram a economia, mas programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Move Brasil buscam reativar setores.
- O gasto primário real deve crescer 5% em 2026 impulsionado pelo ano eleitoral, com empréstimos de bancos públicos acelerados.
- O crescimento esperado de 2% ou mais em 2026 deve ocorrer acima do potencial, sem aumento do desemprego, mas com aceleração da inflação de serviços.
- A redução das exportações e o aumento das importações no trimestre indicam que a economia testa seus limites de capacidade produtiva.
- A guerra no Irã e o impulso fiscal elevam a inflação em cerca de um ponto percentual, limitando cortes de juros.
- Juros elevados e deterioração das condições financeiras do setor privado, especialmente PMEs, devem persistir, com continuidade das recuperações judiciais.
- Após as eleições, espera-se moderação do gasto público e juros ainda altos devido à inflação acima da meta, com uma reversão cíclica que pode ser pior do que o previsto. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/samuelpessoa/2026/05/numeros-do-pib-refletem-o-ciclo-eleitoral.shtml
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