Desejo Sem Fim
A obsessão carnal não conduz à felicidade, mas a um entorpecimento da alma. É uma febre que, em vez de purificar, consome. Cada ato, cada encontro, deveria marcar uma chegada, uma quietude. Em vez disso, não passa do prelúdio para um novo, imediato anseio. Não há descanso. Não há satisfação. Apenas o zumbido irritante de uma necessidade que se autoalimenta, uma prisão cujas paredes são feitas dos próprios nervos.
Cava-se um sulco cada vez mais profundo dentro de si, uma laceração que não sara. A excitação torna-se um refúgio vazio, um mecanismo obtuso para fugir do confronto com o próprio vazio interior. É a antítese do verdadeiro prazer, que por sua natureza é um episódio, um pico, não uma sentença perpétua. Aqui, ao contrário, está-se condenado a repetir infinitamente um gesto que perdeu todo o sabor, todo o significado. Torna-se um autômato do desejo, escravo de um ritmo biológico distorcido, onde o corpo reclama o que o espírito não pode mais conceder.
É a solidão mais abissal: aquela que se sente no meio dos corpos, no momento do máximo contato físico. Um deserto que avança, ressecando todo sentimento genuíno. O instinto, esvaziado de seu poder vital, transforma-se em um mestre implacável. A busca compulsiva não é expressão de vitalidade, mas o sintoma de uma fuga, a recusa em encarar o nada que se criou. É uma tentativa desesperada de se sentir vivo que, ironia cruel, só acelera o processo de morte interior.
Confunde-se o estrondo com paixão, o movimento com vida. Mas não passa de um turbilhão que conduz ao mesmo, idêntico ponto de partida: a insatisfação. Um ciclo estéril, uma luta contra um inimigo invisível que não está fora, mas dentro de nós. E toda vez se espera que seja a última, que dessa vez, finalmente, a faísca irromperá em um fogo que aqueça a alma. Em vez disso, não passa de um fósforo molhado que se apaga no escuro, deixando apenas um fio de fumo acre e a certeza de ter que acender outro. E depois mais outro. Infinitamente.
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🦅 Cheyenne Isa ₿ 🦅
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