Dados do IBGE mostram queda no analfabetismo no Brasil para menos de 5%
Dados do IBGE mostram queda no analfabetismo no Brasil para menos de 5% A taxa de analfabetismo no Brasil finalmente caiu abaixo de 5%. Mas, por trás do número histórico, o país ainda carrega uma ferida aberta: milhões seguem à margem da palavra escrita.
Avanço celebrado: o copo meio cheio
Na visão alinhada ao governo, o dado central é motivo de comemoração: o Brasil registrou em 2025 a menor taxa de analfabetismo da série recente da Pnad Contínua, com 4,9% da população de 15 anos ou mais incapaz de ler e escrever, o que representa 8,4 milhões de pessoas. É também a primeira vez que o índice fica abaixo de 5%, marca repetida em diferentes reportagens como símbolo de virada histórica.
Esses textos destacam a trajetória de queda contínua desde 2016, quando o indicador era de 6,7%, superando 10,6 milhões de analfabetos. A leitura governista: políticas de inclusão educacional, expansão da escolaridade feminina e melhorias no acesso à educação infantil começaram a aparecer nas estatísticas.
O peso do atraso: o copo meio vazio
Mas a mesma base de dados sustenta um diagnóstico bem menos triunfalista. O país ainda tem 8,4 milhões que não sabem ler nem escrever, número repetido com ênfase crítica. E mais da metade deles (57,4%) está no Nordeste, que concentra 4,8 milhões de analfabetos — mais que a população inteira do Amazonas.
Enquanto o discurso oficial fala em recorde positivo, outra leitura lembra que a meta do Plano Nacional de Educação de erradicar o analfabetismo até 2024 não foi cumprida. As desigualdades regionais e raciais persistem, com impacto maior sobre idosos e população preta e parda.
Convergência incômoda
Nos dois lados, um ponto em comum: ninguém consegue esconder que o número absoluto é gigantesco. Manchetes que celebram a queda para menos de 5% trazem no mesmo fôlego o alerta de que o país ainda carrega milhões excluídos da alfabetização básica. A disputa não é sobre os dados, mas sobre o enquadramento: avanço histórico ou fracasso prolongado — provavelmente, um pouco dos dois.
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