Investigações do caso Master miram Ciro Nogueira e Hugo Motta

Novos desdobramentos da investigação do caso Banco Master revelam suspeitas sobre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). A Polícia Federal apura se os parlamentares receberam vantagens indevidas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo o custeio de viagens de luxo e a liberação de um empréstimo de R$ 22 milhões para uma empresa da cunhada de Motta. Em reação, a oposição pediu a cassação de Nogueira.
Investigações do caso Master miram Ciro Nogueira e Hugo Motta

Investigações do caso Master miram Ciro Nogueira e Hugo Motta As revelações do caso Master transformaram as viagens de luxo de Daniel Vorcaro em bomba política: agora, o alvo não é só o ex-banqueiro, mas o coração do centrão governista no Congresso.

Oposição mira Hugo Motta e o “empréstimo da cunhada”

No campo oposicionista, o foco é Hugo Motta. Relatórios da PF indicam diálogos em que o presidente da Câmara teria tratado da liberação de um empréstimo de R$ 22 milhões do Banco Master para empresa da cunhada, Bianca Medeiros, usado para compra de terreno em João Pessoa. A imprensa alinhada à oposição fala em pedido direto de Motta a Vorcaro e até em áudios do deputado solicitando o valor.

Confrontado, Motta se esquiva: em entrevista, recusou-se cinco vezes a confirmar se pediu o dinheiro, limitando-se a repetir que “não tem ilegalidade de nada nisso” e que o empréstimo “está dentro da legalidade”. Ao mesmo tempo, ele já admitiu ter viajado às custas de Vorcaro.

Governo e mídia progressista: foco em Ciro Nogueira

Já o campo governista e a mídia alinhada ao Planalto miram com mais força o senador Ciro Nogueira. A federação Psol-Rede protocolou pedido de cassação, acusando-o de usar o mandato para “instrumentalização […] para obtenção de benefícios privados” e citando suposta mesada de até R$ 500 mil, que teria somado cerca de R$ 6 milhões, paga por empresa ligada à sua família.

Editorial de O Globo ecoa o tom: sob o título de que a permanência de Ciro no Senado é “insustentável”, o jornal defende a abertura de processo de cassação, citando hospedagens pagas por Vorcaro no Four Seasons em Lisboa e uma “mesada” de R$ 300 mil a R$ 500 mil.

Luxo, jatinhos e a blindagem em Lisboa

Nos dois lados, porém, o roteiro de luxo é o mesmo. A PF detalha jantar em Lisboa, em 2024, em que Vorcaro exigiu segurança máxima — “pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista” — para receber Ciro Nogueira e Hugo Motta, que voaram no jatinho do banqueiro e tiveram cinco diárias no Four Seasons pagas por ele. Relatos de viagens a Nova York, Courchevel e St. Barths, com gastos de até R$ 41 milhões em hotéis, iates, massagistas 24h e bolsas Hermès, completam o quadro de mimos a políticos.

A PF apura se essas vantagens se conectam a emendas de interesse do Master, como medidas sobre créditos de carbono e projetos de energia limpa. Enquanto oposição e base governista duelam pela narrativa, o ponto em comum é incômodo: o sistema político inteiro aparece confortável no banco traseiro do jatinho de Vorcaro.

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