PF: Vorcaro pagava R$ 400 mil mensais por informações sigilosas da polícia
PF: Vorcaro pagava R$ 400 mil mensais por informações sigilosas da polícia Um suposto “mensalão da informação” dentro da própria Polícia Federal ameaça não só a imagem da corporação, mas também a confiança pública na blindagem de dados sigilosos. No centro do furacão: o empresário Henrique Vorcaro e uma rede de policiais federais da ativa e aposentados.
Quanto vale um sigilo?
Segundo relatório da PF, Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, teria montado — e bancado — um esquema de compra de dados internos. Ele teria repassado R$ 400 mil por mês ao agente aposentado Marilson Roseno da Silva para obter acesso antecipado a investigações e sistemas restritos, como o e-Pol. Outra reportagem detalha que, além do valor fixo, havia bônus e gratificações a agentes, transformando a venda de informação em um fluxo contínuo de renda ilícita.
A acusação é de que Roseno estruturou uma rede de vazamento envolvendo servidores da ativa e aposentados, com pagamentos via Pix, presentes e gratificações de fim de ano para cooptar policiais.
PF sob ataque — e em contra-ataque
De um lado, a PF se coloca como vítima de infiltração criminosa e reage com operação pesada: pedidos de prisão preventiva para policiais aposentados e para um agente da ativa, além do afastamento de uma delegada. A narrativa governista enfatiza a limpeza interna e o papel do STF na autorização das prisões, reforçando a ideia de um Estado que reage institucionalmente ao ataque contra o sigilo.
De outro lado, o silêncio fala alto. Henrique Vorcaro não respondeu aos questionamentos da imprensa; Roseno, preso preventivamente, também não se manifestou; a defesa de Daniel Vorcaro afirma que não comentará o caso. Enquanto a PF tenta mostrar controle, os suspeitos apostam na estratégia clássica de recolhimento — e deixam no ar a pergunta incômoda: quantos outros sigilos já têm preço e tabela?
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