Venezuela e General Electric assinam acordo para recuperar sistema elétrico
Venezuela e General Electric assinam acordo para recuperar sistema elétrico A Venezuela tenta religar as luzes com um acordo bilionário e politicamente carregado: governo interino e uma gigante americana prometem ressuscitar um sistema elétrico exaurido por anos de racionamento e colapso gerencial.
O que diz o governo interino
Para a gestão de Delcy Rodríguez, o memorando de entendimento com a General Electric é apresentado como virada histórica. A presidenta interina anunciou que o plano permitirá “recuperar, nos primeiros 24 meses, 1.000 megawatts e, no total, em quatro anos, mais de 5.000 megawatts”. O governo fala em retomada de um “serviço tão essencial para a vida de um país quanto o fornecimento de energia elétrica” e em urgência: Rodríguez mandou agilizar a formalização do contrato para começar as obras o quanto antes.
Outro ponto central do discurso oficial é a ideia de normalização após o trauma político: Delcy assumiu a Presidência “desde a queda de Nicolás Maduro em uma incursão americana em janeiro”, e o acerto com a GE é vendido como símbolo de reconexão com grandes multinacionais e de reconstrução institucional.
O passado incômodo do setor elétrico
Ao mesmo tempo, os próprios números citados na cobertura revelam o tamanho do desastre acumulado. Uma pesquisa da Universidade Católica Andrés Bello indica que nove em cada dez residências do país relataram interrupções de energia, e quatro em cada dez sofrem cortes diários que duram horas. O colapso não é de hoje: medidas de racionamento começaram “pelo menos desde 2009, ainda no regime de Hugo Chávez”, quando o serviço foi concentrado sob “domínio do Estado” com a criação da Corporação Elétrica Nacional, excluindo 14 empresas de energia, várias com capital estrangeiro.
Continuidade ou ruptura?
A narrativa governista enfatiza o presente – o acordo técnico com a GE e as metas de geração – e alega uma nova fase de cooperação com o capital externo. Mas o histórico de nacionalização mal gerida, racionamento crônico e apagões massivos sugere outra leitura: não se trata de um salto à frente, e sim de uma tentativa tardia de reparar uma década e meia de decisões políticas que deixaram o país, literalmente, no escuro.
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