Ministro Durigan defende atualização do cálculo da inflação e manutenção da meta

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu a necessidade de atualizar a metodologia de cálculo da inflação no Brasil, argumentando que os hábitos de consumo mudaram. Ele também reafirmou o compromisso do governo com a meta de inflação de 3% ao ano.
Ministro Durigan defende atualização do cálculo da inflação e manutenção da meta

Ministro Durigan defende atualização do cálculo da inflação e manutenção da meta O governo quer mexer no termômetro, mas jura que não vai trocar a febre. A proposta de rever o cálculo da inflação vem junto com a promessa de manter a meta em 3% — combinação que acende alerta em quem teme maquiagem estatística, mas também seduz quem enxerga índices defasados.

De um lado, a Fazenda de Dario Durigan tenta se vender como modernizadora, não como intervencionista. O ministro defende “revisão de cálculo da inflação e manutenção da meta de 3%”, argumento repetido em diferentes entrevistas, com ênfase na ideia de que os índices atuais ainda carregam o Brasil analógico dentro de uma economia digital. Ele insiste que o modelo hoje “dá peso para coisas que hoje não têm mais o peso que tinham anteriormente”, enquanto itens como “assinatura de streaming” e “serviço de nuvem” passaram a pesar muito mais no bolso do consumidor.

Na visão governista, atualizar a metodologia é questão de credibilidade, não de esperteza. O discurso é que a inflação medida deve refletir hábitos de consumo que mudaram “significativamente ao longo das últimas décadas”, sem tocar na âncora: a meta contínua de 3% ao ano, que Durigan faz questão de dizer que não pretende alterar. Em paralelo, ele acena ao mercado defendendo mais transparência no Boletim Focus e alerta contra “pautas-bomba” no Congresso que elevem gastos e empurrem juros para cima.

Do outro lado, mesmo sem vozes explícitas na oposição neste debate específico, está o fantasma clássico: toda vez que governo fala em “rever metodologia”, o receio é de que o foco saia da inflação real e vá para o número oficial. A tensão está justamente aí: modernizar o termômetro sem perder a confiança de que a febre continua sendo medida de verdade.

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