MP do Frete trava no Congresso e caminhoneiros ameaçam greve
MP do Frete trava no Congresso e caminhoneiros ameaçam greve A Medida Provisória do Frete virou bomba-relógio em Brasília: se não andar no Congresso até 16 de julho, caduca — e os caminhoneiros prometem parar o país. No meio, governo, agro e indústria medem força sobre quem vai pagar a conta.
Governo x setor produtivo: fiscalização ou “radar do frete”?
Do lado do governo Lula, a MP 1.343/2026 é apresentada como resposta a uma reivindicação antiga dos caminhoneiros: endurecer a fiscalização da tabela do frete, criada após a greve de 2018, para garantir o piso mínimo no transporte de cargas. A fiscalização eletrônica, recém-implantada, pretende impedir que empresas contratem motoristas — sobretudo autônomos — abaixo do valor de referência.
Agronegócio e indústria enxergam outra coisa: um “radar eletrônico do frete”, com risco de multas pesadas e insegurança jurídica, motivo pelo qual pressionam para travar a MP na Câmara e no Senado. O resultado é paralisia: a comissão mista nem foi instalada, apesar de 427 emendas já apresentadas, e a medida segue sem presidente, vice ou relator.
Caminhoneiros: 62% da carga e ameaça de greve
Na outra ponta, caminhoneiros autônomos dizem estar cansados de promessas. Eles afirmam que a MP é vital para impedir o achatamento do frete e acusam lobistas do agro e da indústria de boicotar o texto para manter os valores pagos lá embaixo. Wallace Landim, o Chorão, presidente da CNTA, lembra que os autônomos respondem por “62% do transporte rodoviário de cargas do país” e avisa: “Se o texto não virar lei, vamos parar em todo o país”.
Enquanto governo tenta segurar a base política em ano eleitoral e o setor produtivo quer derrubar o “radar” do frete, quem vive da boleia ameaça, de novo, travar o Brasil para ser ouvido.
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