EUA e Irã anunciam acordo de paz e reabertura do Estreito de Ormuz
EUA e Irã anunciam acordo de paz e reabertura do Estreito de Ormuz EUA e Irã falam em paz e reabertura do Estreito de Ormuz, mas cada lado tenta vender o acordo como vitória própria – e alguns já trabalham para esvaziá‑lo antes mesmo da assinatura.
De um lado, a narrativa de derrota dos EUA domina veículos alinhados a Teerã. Para o Vermelho, o pacto “confirma derrota dos EUA após meses de escalada militar” ao encerrar a guerra sem derrubar o regime iraniano nem destruir seu programa nuclear. A Revista Fórum é ainda mais direta: “Irã vence a guerra e submete EUA e Israel a humilhação”. A mesma linha aparece em análise que descreve o acordo como “vitória iraniana” e a paz como dano controlado que Trump aceita para conter o custo econômico e político da guerra.
Do outro lado, o campo trumpista tenta transformar o recuo em épico pessoal. Gazeta do Povo destaca Trump comemorando a reabertura “sem pedágio” de Ormuz e dizendo “Navios do mundo, liguem seus motores!” ao anunciar o fim do bloqueio naval. Na direita brasileira, Leandro Ruschel chama o entendimento de “vitória acachapante” se realmente travar a capacidade nuclear iraniana, enquanto Paulo Figueiredo diz que Trump “calou o mundo” aos 80 anos, após décadas de humilhações americanas no Irã.
Nos bastidores, porém, o texto é bem menos triunfalista. A Gazeta descreve um acordo ainda nebuloso, com 60 dias de negociações sobre enriquecimento de urânio e alívio de sanções condicionado ao cumprimento iraniano. A própria mídia estatal de Teerã divulgou uma lista de 14 exigências que incluem fim da guerra em todas as frentes, retirada de tropas americanas do entorno, liberação de US$ 24 bilhões e um plano de reconstrução de US$ 300 bilhões.
Enquanto isso, o dinheiro já escolheu seu lado: petróleo em queda e bolsas em alta apostam que, propaganda à parte, o essencial está dado – o Estreito de Ormuz volta a fluir.
https://resumosbrasil.com/stories/019ecbfb-9fa3-3a65-731a-348cc720143e
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