Militante de esquerda confessa ameaças de morte contra deputado Luciano Zucco

A Polícia Legislativa da Câmara identificou Cleomar dos Santos como o autor de ameaças de morte contra o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS). Santos confessou o crime, alegando motivação política e arrependimento, e disse não ter a intenção de concretizar as ameaças. Em decorrência do caso, Zucco passou a contar com escolta policial.
Militante de esquerda confessa ameaças de morte contra deputado Luciano Zucco

Militante de esquerda confessa ameaças de morte contra deputado Luciano Zucco A confissão de um militante de esquerda por ameaças de morte contra o deputado Luciano Zucco reacende o debate sobre até onde a polarização política está empurrando o país — e como cada lado explora o episódio.

O caso: ameaças, confissão e escolta

O Departamento de Polícia Legislativa da Câmara identificou Cleomar dos Santos como autor de uma série de ameaças de morte dirigidas a Zucco, ao longo de dois anos, a partir de um perfil que se apresentava como apoiador de Lula e militante de esquerda. Em uma das postagens, ele escreveu que havia “perdido a oportunidade de estourar a cabeça desse defensor de pedófilo, bolsonarista, safado”, além de prometer “garantir” a ida do parlamentar “para o inferno”.

Diante da investigação, Santos admitiu ser o dono da conta usada para os ataques, declarou-se militante de esquerda e do PT, alegou motivação política, disse ter agido “no calor da emoção” e afirmou estar arrependido, pedindo desculpas. Ele também tem passagens policiais e antecedente por roubo no Presídio Central de Porto Alegre, segundo relato da imprensa de oposição.

Como reação, Zucco passou a contar com escolta da Polícia Legislativa em deslocamentos e compromissos públicos no Rio Grande do Sul, acompanhado por dois agentes em viagens à capital e ao interior.

Como cada lado lê o episódio

Na imprensa alinhada à oposição, o caso é apresentado como prova de um “esquerdista perigoso” que fez ameaças explícitas de morte a um parlamentar, em um ambiente de acirramento político que justificaria o reforço de segurança e a vigilância máxima a crimes de ódio político.

Já na narrativa centrada no inquérito, o foco recai mais sobre a responsabilização individual de Santos, sua confissão, o arrependimento declarado e a institucionalização da resposta — polícia legislativa agindo, depoimento tomado, escolta acionada — como forma de mostrar que o sistema reage, ainda que tardiamente, à escalada verbal antes que ela se converta em violência física.

No meio desse choque de leituras, sobra pouco espaço para um debate mais amplo: o de como transformar ameaças políticas em exceção punida exemplarmente — sem que cada caso vire apenas munição para a próxima guerra de narrativas.

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