Alcolumbre trava PEC da escala 6x1 e cancela reunião no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cancelou uma reunião de líderes que definiria a tramitação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6x1. A decisão, que gerou irritação no presidente da CCJ, Otto Alencar, mantém a proposta travada na Casa, contrariando a expectativa do governo por uma tramitação mais rápida.
Alcolumbre trava PEC da escala 6x1 e cancela reunião no Senado

Alcolumbre trava PEC da escala 6x1 e cancela reunião no Senado O embate em torno da PEC que acaba com a escala 6x1 transformou o Senado num freio de mão puxado: o governo quer pressa, Davi Alcolumbre pisa no freio, e a CCJ assiste irritada à manobra. No meio, uma conta eleitoral bilionária em votos para 2026.

De um lado, o Planalto pinta um cenário de avanço iminente. Aliados vendem a imagem de que Alcolumbre está “comprometido com essa agenda”, e que o Senado pode começar a votar o fim da 6x1 já na próxima semana, bastando um despacho para a CCJ. A narrativa governista é de ambiente favorável, com defesa de vigência imediata da PEC após a aprovação, sem grandes transições para as empresas. Em outra frente, relatam encontros de Alcolumbre com ministros como José Guimarães para “consolidar o rito” e tentar transformar a medida em vitrine eleitoral de Lula, com folgas extras e redução de jornada valendo antes de 2026.

Do outro lado, a prática mostra um Senado travado. Alcolumbre já se reuniu com o governo, mas “adiou definição” sobre o calendário da PEC, que reduz a jornada para 40 horas e proíbe a escala 6x1, reclamando inclusive de pressão nas redes e recusando-se a acelerar temas de forte impacto em ano eleitoral. A oposição e parte da imprensa descrevem a decisão como mais um “banho de água fria” no Planalto, após o cancelamento da reunião de líderes que definiria o roteiro da PEC. Otto Alencar, presidente da CCJ, ecoa a crítica: diz que Alcolumbre “trava o avanço” ao cancelar encontros sem justificativa nem nova data e promete correr quando — e se — o texto chegar à comissão.

Enquanto isso, o cálculo político aperta. Governistas avaliam que barrar ou retardar a 6x1 terá “alto custo político” para Alcolumbre num cenário em que 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa, e ninguém quer ser visto votando contra uma pauta popular de redução de jornada. Mesmo assim, o presidente do Senado insiste em seguir o rito tradicional, entre pressões do Planalto, irritação na CCJ e o fantasma de uma alternativa da oposição – mais flexível e pró-empresário – já tachada de “restabelecimento do trabalho escravo” por aliados do governo.

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