Ex-deputada Bia Pardi, fundadora do PT, morre aos 84 anos
Ex-deputada Bia Pardi, fundadora do PT, morre aos 84 anos A morte de Bia Pardi, aos 84 anos, expõe um raro consenso num país rachado: governo, oposição e velha guarda da esquerda dividem a mesma narrativa básica — mas com ênfases bem diferentes.
De um lado, o enquadramento institucional destaca a biografia formal. A cobertura mais alinhada ao governo lembra a ex-parlamentar como “ex-deputada estadual por São Paulo” e subprefeita de Pinheiros, ressaltando sua trajetória na Alesp e no Executivo municipal. Nessa versão, Bia é sobretudo a fundadora de partido que “exerceu dois mandatos consecutivos como deputada estadual” e liderou a bancada petista, com atuação forte na Comissão de Educação e na criação da CPI da Violência contra a Mulher e contra a Criança e o Adolescente.
Do outro lado, a oposição interna e a esquerda militante reforçam o mito de base. A Revista Fórum a apresenta já no título como “militante histórica” e “uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores” cuja trajetória foi “ligada à defesa da educação pública, dos direitos dos trabalhadores e da democracia”. Aqui, o foco não é o cargo, mas a militância: professora, dirigente da Apeoesp, articuladora das lutas populares em São Paulo e autora de iniciativas como o projeto que tornava obrigatória a educação artística nas escolas públicas estaduais.
Há, porém, um ponto de interseção evidente: ambas as leituras convergem em tratar Bia Pardi como sinônimo de educação pública e justiça social. Tanto o relato institucional quanto o militante repetem a fórmula do legado de “dedicação à educação, à justiça social e à construção de um Brasil mais democrático e igualitário” — elogio que, vindo de campos editoriais distintos, funciona menos como chavão e mais como síntese política de uma geração.
No balanço, o obituário de Bia não abre espaço para disputa sobre quem ela foi. A verdadeira disputa, daqui para frente, será sobre quem consegue herdar, de fato, a bandeira que ela ajudou a fincar.
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