Governo se reúne com Alcolumbre para barrar 'pautas-bomba' de R$ 270 bilhões
Governo se reúne com Alcolumbre para barrar ‘pautas-bomba’ de R$ 270 bilhões O governo corre para desarmar uma bomba fiscal de R$ 270 bilhões, mas precisa do mesmo Congresso que, em ano eleitoral, flerta com aumentar gastos e agradar categorias organizadas. No centro do tabuleiro está Davi Alcolumbre, ora tratado como bombeiro da responsabilidade fiscal, ora como fiador de benesses impagáveis.
De um lado, o Planalto fala em risco de ingovernabilidade. Dario Durigan, da Fazenda, calcula que o pacote de renegociação de dívidas rurais, aposentadorias integrais e novos pisos salariais pode somar R$ 270 bilhões e diz que é um impacto que “o país não suporta”. Articulações discretas com Alcolumbre miram travar ou pelo menos adiar projetos como a renegociação das dívidas do agronegócio (R$ 120 bilhões), a aposentadoria integral de agentes de saúde (cerca de R$ 100 bilhões) e o novo piso dos médicos (R$ 47 bilhões). A ordem é clara: evitar que uma “pauta-bomba” junina torne o Brasil “ingovernável” a partir de 2027.
Ao mesmo tempo, o governo afaga o presidente do Senado. Depois da reunião, Durigan fez questão de elogiar Alcolumbre e afirmar que “confia na condução” do senador sobre os projetos sensíveis à economia. Outros ministros repetem o roteiro: reconhecer o rombo potencial, culpar o clima eleitoral e pedir que o Senado segure o gatilho.
Do outro lado, a oposição descreve outra história. Para veículos críticos ao Planalto, Lula corre a Alcolumbre não para proteger o caixa, mas para evitar pautas impopulares que poderiam estourar na campanha. A narrativa é de um governo que passou dois anos empurrando gastos e agora, sob pressão fiscal, tenta fechar a torneira de pisos salariais e aposentadorias especiais que ele mesmo ajudou a inflar.
Alcolumbre, por sua vez, posa de árbitro acima da briga: diz que não pode escolher quais categorias serão beneficiadas e que aprovar tudo exigiria “10 Brasis para pagar a conta”. Mas é exatamente essa seletividade – o que entra e o que fica na gaveta – que definirá se ele será lembrado como o senador que desarmou a bomba ou apenas como quem decidiu quando ela iria explodir.
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