MP denuncia ex-professor da USP por assédio e estupro contra alunos
MP denuncia ex-professor da USP por assédio e estupro contra alunos O caso do ex-professor da USP Alysson Mascaro virou campo de batalha político e jurídico: de um lado, o Ministério Público o acusa de uma série de crimes sexuais; do outro, a defesa fala em armação, cancelamento e perseguição.
Enquanto a Gazeta do Povo destaca que o investigado se define como “jurista marxista” e fala em “suposto assédio sexual contra ao menos dez dos seus alunos – todos homens”, a Revista Oeste vai mais fundo no tipo penal e enumera uma lista pesada: estupro, estupro de vulnerável, assédio e importunação sexual, envolvendo dez vítimas masculinas entre 2006 e 2024.
Nos dois relatos, o fio condutor é o mesmo: o uso da posição de poder acadêmico. A Gazeta do Povo relata que o MP-SP considerou que Mascaro tinha “ascendência hierárquica” sobre os orientandos e teria usado essa condição para praticar condutas como “beijos forçados”. A Oeste descreve a mesma dinâmica, com aproximação via “influência no meio jurídico” e promessas de indicações profissionais.
Mas o enquadramento diverge quando o foco vira o professor. A Gazeta do Povo enfatiza a tese de que o processo de demissão na USP teria sido “eivado de ‘inconsistências’ e de uma suspeita de ‘armação’, com envolvimento do Intercept”, e lembra que Mascaro reagiu com o livro Crítica do Cancelamento, em que a “cultura do cancelamento” seria sintoma do “capitalismo em crise”. Já a Oeste sublinha a resposta institucional: sindicância, afastamento cautelar e demissão formalizada em 11 de fevereiro, além de o processo tramitar em segredo de justiça para preservar as vítimas.
Há, porém, um ponto de convergência: ambas registram a negativa categórica do ex-professor. A Gazeta do Povo ressalta que ele “nega integralmente” as acusações e que as denúncias são anônimas, sem boletins de ocorrência formais. A Oeste ecoa a defesa, segundo a qual as imputações seriam “fundadas em supostos relatos obtidos por meios manifestamente ilícitos” e alimentadas por perfis falsos criados para “propagar inverdades”.
No centro desse choque de narrativas, o próximo movimento sai do terreno da opinião e entra no da sentença: caberá agora ao Judiciário decidir se aceita ou não a denúncia e, mais adiante, quem está falando a verdade.
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