Mulher de 37 anos que fingiu ter 12 em SC é denunciada pelo MP

O Ministério Público de Santa Catarina denunciou uma mulher de 37 anos pelos crimes de estelionato e falsa identidade. Ela é acusada de se passar por uma adolescente de 12 anos para enganar uma família que a acolheu em Joinville, obtendo vantagens como moradia e alimentação. A polícia investiga golpes semelhantes em outros estados.
Mulher de 37 anos que fingiu ter 12 em SC é denunciada pelo MP

Mulher de 37 anos que fingiu ter 12 em SC é denunciada pelo MP A história soa como roteiro de série, mas está nas mãos da Justiça: uma mulher de 37 anos que viveu por 14 meses como “filha” de uma família em Joinville, fingindo ter 12 anos, virou ré e virou também símbolo de um embate entre punição exemplar e cautela jurídica.

Ministério Público x risco de repetição

Para o Ministério Público de Santa Catarina, o caso é cristalino: trata-se de estelionato e falsa identidade. A Promotoria afirma que a denunciada “obteve vantagem ilícita ao se aproveitar da família que a acolheu por 14 meses ao pensar que ela fosse uma adolescente abandonada”. Em outra peça, reforça que ela foi denunciada “sob acusação de estelionato e falsa identidade” e que representaria “risco social pela possibilidade de voltar a aplicar golpes se passando por criança”.

Judiciário entre rigor e cautela

A Justiça de Santa Catarina comprou, ao menos em parte, a tese do MP ao receber a denúncia e transformar a investigada em ré. Mas pisou no freio na hora de avançar o processo: o juiz suspendeu a ação até o resultado de um exame de sanidade mental, marcado para 26 de junho. Em decisão paralela, foi agendada perícia psiquiátrica em processo que tramita em segredo de Justiça, sinal de que o Judiciário quer entender se há doença mental por trás da farsa prolongada.

Defesa pede serenidade, polícia fala em padrão de golpes

Enquanto o MP fala em “risco social”, a defesa responde com tom frio: recebeu a denúncia “com serenidade” e diz que qualquer decisão deve esperar o laudo pericial. A Polícia Civil, por outro lado, enxerga padrão: aponta que ela já teria aplicado golpes semelhantes desde pelo menos 2018, em estados como Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Ceará e outras cidades de Santa Catarina.

Entre a narrativa de aventureira fraudadora em série e a hipótese de transtorno mental grave, o caso que começou como drama doméstico em Joinville caminha para virar teste de limites da empatia, da fé — e do sistema penal brasileiro.

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