CNJ abre processo disciplinar contra desembargador Magid Nauef Láuar por crimes sexuais

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar contra o desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, para investigar denúncias de abuso sexual e outras irregularidades. O magistrado, que já estava afastado cautelarmente, é alvo de denúncias de ao menos sete supostas vítimas.
CNJ abre processo disciplinar contra desembargador Magid Nauef Láuar por crimes sexuais

CNJ abre processo disciplinar contra desembargador Magid Nauef Láuar por crimes sexuais O processo disciplinar contra o desembargador Magid Nauef Láuar expõe um choque direto entre o discurso de tolerância zero a crimes sexuais no Judiciário e a defesa de garantias individuais de um magistrado experiente e influente. No centro da disputa: ao menos sete mulheres que relatam ter sido vítimas e um CNJ decidido a transformar denúncias em caso exemplar.

CNJ em modo “limpeza de casa”

Todos os veículos alinhados destacam o mesmo ponto de partida: o Conselho Nacional de Justiça decidiu, por unanimidade, abrir Processo Administrativo Disciplinar e manter o afastamento cautelar do desembargador do TJMG. A decisão é vendida como sinal de firmeza institucional frente a denúncias de importunação sexual e estupro.

Segundo o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, as diligências localizaram “ao menos sete possíveis vítimas”, com relatos que apontam um “padrão sistemático de comportamento” em que o magistrado se valeria de relações de subordinação e vulnerabilidade – inclusive de adolescentes – para suas investidas. Outro texto ressalta que muitas denúncias foram espontâneas, partindo de funcionárias, estagiárias e servidoras, algumas menores à época dos fatos.

Há também o elemento simbólico: o PAD nasce da repercussão do voto de Láuar que absolveu um homem acusado de estupro de vulnerável, caso de uma menina de 12 anos, o que amplificou a cobrança de responsabilização interna no Judiciário.

Defesa x pressão pública

Se de um lado a narrativa oficial enfatiza a gravidade e a recorrência dos relatos, de outro a defesa tenta deslocar o foco para garantias processuais. O advogado de Láuar sustenta que os episódios remontariam a “há 30 anos, há 15 anos” e invoca prescrição e a tese de “falsas memórias” das acusadoras, tentando enquadrar o caso como revisão tardia de comportamentos do passado.

Enquanto o CNJ busca mostrar musculatura disciplinar e resposta à sociedade, a estratégia da defesa aposta em desgaste de provas, tempo decorrido e crítica à influência da “repercussão midiática” sobre a abertura do processo. Na prática, é o Judiciário julgando um dos seus – sob holofotes incomuns e com pouco espaço para meia medida.

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