Xi Jinping e Kim Jong Un se encontram em Pyongyang para reforçar aliança

O presidente chinês Xi Jinping se reuniu com o líder norte-coreano Kim Jong Un em Pyongyang, onde ambos reforçaram a parceria estratégica e a amizade histórica entre os países. Os líderes prometeram aprofundar a coordenação política e ideológica em meio ao aumento da presença militar dos EUA na Ásia.
Xi Jinping e Kim Jong Un se encontram em Pyongyang para reforçar aliança

Xi Jinping e Kim Jong Un se encontram em Pyongyang para reforçar aliança A foto oficial em Pyongyang mostra sorrisos, tapete vermelho e bandeiras ao vento. Por trás da coreografia, porém, está uma disputa de narrativa sobre o que realmente significa a reaproximação entre Xi Jinping e Kim Jong Un.

De um lado, os veículos alinhados a governos de esquerda no Brasil vendem o encontro como marco positivo de uma “nova etapa” da parceria sino-coreana. A visita de dois dias é descrita como “um dos movimentos diplomáticos mais relevantes do ano na Ásia”, reforçando “a profundidade histórica da relação entre Pequim e Pyongyang” e a disposição de Pequim em não abandonar o aliado diante das “pressões lideradas por Washington”. Outro texto ressalta que os dois líderes “reforçaram em Pyongyang a aliança estratégica”, destacando “a amizade histórica”, a “memória revolucionária comum” e o peso disso “para o fortalecimento do socialismo”.

Do outro lado, uma leitura mais crítica, embora ainda simpática a Pequim, sublinha o cálculo geopolítico por trás da encenação. A Revista Fórum lembra que o encontro “reforçou a parceria estratégica” e a “intenção de aprofundar a cooperação política, histórica e ideológica”, mas amarra tudo à Guerra da Coreia, quando a China enviou os Voluntários do Povo para impedir a derrota do Norte diante de uma coalizão “liderada pelos Estados Unidos”. Ao destacar que o armistício nunca virou tratado de paz, o texto sugere que nada ali é apenas cerimônia: é recado para Washington e Seul.

Em comum, todas as narrativas enfatizam memória e sacrifício compartilhado: visitas à Torre da Amizade, preservação de memoriais e programas para transmitir a “tradição revolucionária” às novas gerações. A divergência está no enquadramento: gesto de solidariedade socialista contra o imperialismo — ou jogada calculada num tabuleiro asiático cada vez mais militarizado.

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