Debate sobre fim da escala 6x1 avança no Senado com propostas concorrentes
Debate sobre fim da escala 6x1 avança no Senado com propostas concorrentes O Senado virou ringue. De um lado, a PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada para 40 horas semanais. Do outro, a “PEC do Trabalho Flexível”, escorada por um lobby empresarial robusto e por parte da oposição, tentando preservar as atuais 44 horas e a lógica 6x1.
Governo x Oposição: folga extra ou “liberdade” contratual?
A PEC aprovada na Câmara, de autoria de Reginaldo Lopes, prevê dois dias de descanso por semana e redução gradual da jornada de 44 para 40 horas, sem corte de salário. Defendida pelo governo e por centrais sindicais, é tratada como avanço civilizatório: mais descanso, mesma remuneração, menos precarização.
A oposição reagiu com a PEC de Rogério Marinho, que “pretende dar liberdade ao trabalhador para escolher sua jornada” por meio de acordo individual ou livre pactuação direta com o empregador, mantendo a jornada máxima de 44 horas e a escala 6x1. O texto, celebrado pelo setor produtivo como “PEC do Trabalho Flexível”, virou a bandeira de quem teme “queda no Produto Interno Bruto com a redução gradual da jornada máxima permitida”.
Empresariado em ofensiva x redes sociais em chamas
De um lado, cerca de 3 mil entidades patronais afirmam representar “mais de 40 milhões de empregos e aproximadamente 90% do PIB brasileiro” na carta Uma Carta para o Brasil que Acorda Cedo, pressionando o Senado a priorizar a PEC 12/2026 e a manter jornadas de até 44 horas e a escala 6x1.
De outro, a repercussão foi “a pior possível” nas redes, a ponto de senadores como Romário e Zequinha Marinho correrem para dizer que vão apoiar o fim da 6x1 e que assinaram a PEC alternativa apenas para permitir o debate. O Senado, porém, recusou seus pedidos de retirada de assinatura, já que o texto já foi publicado.
Alcolumbre pisa no freio, CCJ no centro do jogo
No meio do fogo cruzado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trava o ímpeto de ambos os lados. Ele descartou levar a PEC do fim da 6x1 direto ao plenário e defende que passe pela CCJ e ouça “todos os setores envolvidos”, o que pode alongar a disputa por meses. Enquanto o governo conta com “amplo apoio da sociedade civil” e mira aprovação até julho, a oposição já tem sua alternativa — e o lobby patronal em campo — pronta para disputar cada hora da jornada de trabalho.
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