Alunos da USP aprovam fim de greve e seis são presos em protesto no mesmo dia
Alunos da USP aprovam fim de greve e seis são presos em protesto no mesmo dia A mesma noite em que a USP decidiu virar a página da maior greve estudantil da última década terminou com bombas, cassetetes e seis prisões diante da reitoria. O fim formal da paralisação abriu espaço para outra disputa: quem controla a narrativa sobre o conflito no campus.
De um lado, veículos mais alinhados ao governo e à administração universitária enfatizam a violência e a necessidade de ordem. Destacam que “seis pessoas foram presas após tentarem invadir o Prédio da Administração Central da Universidade de São Paulo (USP)”, descrevendo manifestantes encapuzados, armados com paus e cassetetes, que teriam agredido seguranças e disparado rojões, deixando ao menos três feridos. Outro relato fala em barricadas, danos ao patrimônio e lesão corporal grave registrada em boletim de ocorrência. A PM aparece como força chamada para “retirar os invasores e liberar as portarias”.
Do outro lado, a oposição mira o desgaste político da greve e carimba o protesto como radicalização de uma mobilização esvaziada. Um portal registra que os “alunos da USP aprovam fim de greve” após o movimento perder tração, com 24 faculdades já funcionando normalmente. O reitor Aluisio Segurado é citado acusando “lideranças de esquerda” de usar o campus como “massa de manobra para desgastar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas”. Outro título fala em “supostos estudantes” encapuzados que voltam a invadir a administração, obrigando a polícia a agir, numa ênfase clara em deslegitimar os autores do ato.
Há, porém, um ponto de encontro: quase todos reconhecem que o estopim permanece o mesmo – permanência estudantil, qualidade da comida, moradia e infraestrutura – e que a greve acabou mais no papel do que na prática. A assembleia aprovou o fim da paralisação por 323 votos a 255, mas cada unidade ainda decide se volta ou não às aulas. Enquanto governo, reitoria e imprensa disputam quem “venceu”, o campus segue dividido – e inflamável.
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