EUA revogam ingressos de torcedores iranianos para a Copa do Mundo

A Federação de Futebol do Irã acusou os Estados Unidos de revogarem a cota de ingressos destinada aos seus torcedores para a Copa do Mundo, impedindo-os de assistir aos jogos da fase de grupos. A entidade classificou a ação como uma violação do regulamento da FIFA e do espírito esportivo, em meio a outras tensões diplomáticas e logísticas enfrentadas pela seleção iraniana.
EUA revogam ingressos de torcedores iranianos para a Copa do Mundo

EUA revogam ingressos de torcedores iranianos para a Copa do Mundo Os ingressos do Irã para a Copa do Mundo viraram refém da geopolítica: às vésperas do torneio, torcedores descobrem que seus bilhetes simplesmente deixaram de existir, enquanto Washington e a Fifa permanecem em silêncio.

O que diz o Irã

A Federação Iraniana de Futebol acusa os EUA de terem “revogado a cota de ingressos destinada aos torcedores iranianos” poucos dias antes da bola rolar, impedindo presença nas arquibancadas mesmo após viagens planejadas e pagas. Para Teerã, isso atropela o regulamento da Fifa, que garante 8% dos ingressos de cada jogo às federações de cada seleção para venderem a seus torcedores.

Em comunicado, a FFIRI fala em medida “inesperada” que a torna “incapaz de fornecer qualquer ingresso aos torcedores” e acusa os EUA de “impedir mais uma vez que torcedores iranianos assistam às partidas da fase de grupos”. O tom é político: a entidade diz que a decisão “contraria o espírito que rege as competições internacionais e o princípio de igualdade entre os países participantes”.

Silêncio americano, omissão da Fifa

Do outro lado, há um enorme vazio. Nem Washington, nem a organização da Copa, nem a própria Fifa deram explicações públicas sobre a retirada dos tíquetes, apesar de terem sido procurados pela imprensa. A ausência de versão oficial abre espaço para que a narrativa iraniana domine o debate.

Futebol ou extensão da guerra?

O episódio se encaixa numa escalada: vistos negados a parte da comissão técnica, mudança da base de treinos de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México, e autorização para os jogadores entrarem nos EUA apenas em regime de “bate e volta”, sem pernoite, entre uma partida e outra.

Resultado: enquanto Nova Zelândia, Bélgica e Egito jogam em estádios cheios em Los Angeles e Seattle, o Irã corre o risco de entrar em campo praticamente sem a própria torcida — e com a diplomacia substituindo o apito final.

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