TSE analisará decisão de Kassio Nunes que censurou pesquisa AtlasIntel

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) irá analisar a decisão de seu presidente, ministro Kassio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa AtlasIntel a pedido do senador Flávio Bolsonaro. A campanha alegou que a metodologia, que incluía um áudio, poderia ter induzido os entrevistados, gerando um debate sobre censura e liberdade de informação.
TSE analisará decisão de Kassio Nunes que censurou pesquisa AtlasIntel

TSE analisará decisão de Kassio Nunes que censurou pesquisa AtlasIntel O julgamento desta terça no TSE não decide só o destino de uma pesquisa: virou teste de estresse para saber se a Justiça Eleitoral será árbitro ou jogadora nas eleições de 2026.

De um lado, Kassio Nunes Marques e o bolsonarismo vendem a suspensão da pesquisa AtlasIntel como um ato de “higiene metodológica”. A campanha de Flávio Bolsonaro alegou que o questionário foi “estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa” sobre o senador, após a revelação do caso Banco Master e o áudio em que ele pede dinheiro para o filme “Dark Horse”. A decisão monocrática barrou a divulgação de um levantamento que mostrava queda de 5 a 7 pontos de Flávio em cenário de segundo turno contra Lula. Para aliados, o TSE apenas freou uma “pesquisa inédita e bizarra” que usava áudio para “manipular” o resultado, celebrou Eduardo Bolsonaro.

Do outro lado, cresce a leitura de que o que está em curso não é zelo técnico, mas censura. Colunistas apontam que a parte de intenção de voto foi respondida antes do contato com o áudio, o que torna “difícil sustentar” que o material tenha contaminado o resultado. A AtlasIntel afirma que “não houve qualquer tipo de indução aos entrevistados” e que o desenho seguiu “rigor técnico e científico”. Para críticos, Kassio e Flávio “censuraram uma pesquisa” e sonegaram informação ao público em nome de um argumento frágil.

Mesmo quem ganha com o desgaste de Flávio pisa em ovos. O presidente do PT, Edinho Silva, diz “respeitar” a decisão e supor que “deve ter fundamento”, prometendo acatar o que o TSE definir. Já Erika Hilton fala em ministro agindo como “cabo eleitoral” do senador e alerta que ele não é “ministro de uma família”.

Enquanto o Ministério Público Eleitoral teme “efeito cascata” de novas censuras a pesquisas e ministros do STF acendem alerta sobre ter de intervir em omissões do TSE, a ironia é amarga: o campo que mais grita contra censura agora tenta apagar do mapa justamente a pesquisa que mostra seu candidato derretendo.

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