Governo suspende uso de vacina contra dengue do Butantan após mortes e casos graves

O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente o uso da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após a notificação de 42 casos de reações adversas graves, incluindo duas mortes sob investigação. A medida é uma precaução para apurar a possível relação causal entre os eventos e o imunizante, que já foi aplicado em mais de 500 mil pessoas.
Governo suspende uso de vacina contra dengue do Butantan após mortes e casos graves

Governo suspende uso de vacina contra dengue do Butantan após mortes e casos graves O Brasil suspende, mas não recua: a parada emergencial da vacina Butantan-DV contra a dengue virou campo de disputa entre quem vê um tropeço da ciência nacional e quem enxerga justamente o sistema de segurança funcionando.

De um lado, o governo tenta enquadrar o episódio como protocolo técnico bem-sucedido. A Saúde fala em descontinuidade “temporária” da estratégia após 42 reações severas em mais de 500 mil doses — cerca de 0,008% — e três casos graves, dois deles fatais, ainda sem nexo comprovado com o imunizante. A linha oficial é que a Butantan-DV passou por estudos com mais de 16 mil voluntários, cinco anos de acompanhamento e eficácia de 80,5% contra casos graves, sem mortes ligadas à vacina nos ensaios. Para o Planalto, o risco maior agora é a desinformação: a orientação é tratar tudo “de forma estritamente técnica” para evitar politização e proteger a confiança nas campanhas de imunização.

Do outro lado, a oposição fareja contradição e oportunidade. Sites críticos lembram que Lula exaltou a vacina “100% nacional” há quatro meses, enquanto atacava o “sectarismo negacionista”, e agora associa o governo à “bomba” de mortes e internações sob investigação. A Gazeta do Povo e Brasil Paralelo sublinham o dado bruto — 42 episódios severos, três graves e duas mortes — para enquadrar a suspensão como revés de uma aposta política de Lula.

Entre o fogo cruzado, vozes como a do deputado e médico Osmar Terra empurram o debate para outro flanco: o tempo de teste. Para ele, a suspensão “reforça a necessidade” de avaliações mais longas e de priorizar a Qdenga, já usada há anos, enquanto a vacina nacional amadurece.

Há, porém, um ponto de convergência raro: governo, Butantan e críticos reconhecem que a parada é de precaução e que, sem investigação robusta, qualquer slogan — pró ou anti-vacina — é atalho perigoso num país que ainda luta para manter a cultura de imunização em pé.

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