Ex-professor da USP Alysson Mascaro é denunciado pelo MP por crimes sexuais

O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-professor da Faculdade de Direito da USP, Alysson Leandro Barbate Mascaro, pelos crimes de estupro, assédio e importunação sexual contra sete ex-alunos. Mascaro já havia sido demitido da universidade após um processo administrativo que apurou as acusações.
Ex-professor da USP Alysson Mascaro é denunciado pelo MP por crimes sexuais

Ex-professor da USP Alysson Mascaro é denunciado pelo MP por crimes sexuais A denúncia contra o ex-professor da USP Alysson Mascaro expõe um choque de narrativas: de um lado, o Ministério Público descreve um padrão sistemático de violência sexual; de outro, a defesa fala em calúnia organizada por perfis falsos. No meio, a USP tenta mostrar que aprendeu – tardiamente – a reagir a denúncias internas.

O que diz o Ministério Público

A Promotoria de São Paulo acusa Mascaro de estupro, estupro de vulnerável, assédio sexual e importunação sexual contra sete ex-alunos e integrantes de grupo de pesquisa, em casos supostamente ocorridos entre 2020 e 2024. Segundo a denúncia, ele se valia da “posição hierárquica, prestígio acadêmico e influência no meio jurídico” para se aproximar de estudantes, muitas vezes em seu apartamento ou escritório.

O MPSP confirma que a denúncia por “crimes relacionados a assédio sexual, importunação sexual e estupro” foi oferecida à Justiça, o que pode levar à abertura de ação penal se aceita pelo juiz.

A reação da USP

A universidade demitiu Mascaro após um Processo Administrativo Disciplinar que apurou as acusações de assédio sexual. A direção da Faculdade de Direito apontou “fortes indícios de materialidade dos fatos” e possível “assédio sexual vertical”, ou seja, praticado por superior hierárquico contra alunos.

O procedimento interno foi provocado pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, com base em reportagem que relatava supostos abusos contra dez alunos entre 2006 e 2024.

A versão da defesa

Enquanto o MP e a USP descrevem um quadro de reiterado abuso de poder, a defesa de Mascaro nega os crimes e afirma que “as acusações são falsas”. Em manifestação anterior, os advogados alegaram que “perfis fakes de Instagram são criados para propagar calúnias, inverdades e estimular intrigas”.

Entre a cátedra e o banco dos réus

Alysson Mascaro, jurista e autor de obras de referência em teoria do Estado e filosofia do direito, deixa o posto de intelectual celebrado para enfrentar a possibilidade de um processo criminal pesado. Enquanto a Justiça decide se acolhe a denúncia, o caso já virou símbolo de como a aura acadêmica deixou de blindar figuras de prestígio contra acusações de violência sexual.

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