União Europeia proíbe importação de carne e outros produtos de origem animal do Brasil

A União Europeia formalizou a proibição da importação de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro. A medida foi tomada após a UE retirar o país da lista de nações com controle de antimicrobianos, o que pode causar um grande impacto no agronegócio brasileiro.
União Europeia proíbe importação de carne e outros produtos de origem animal do Brasil

União Europeia proíbe importação de carne e outros produtos de origem animal do Brasil A proibição da União Europeia à carne brasileira virou munição política e teste diplomático ao mesmo tempo: para a oposição, é guerra contra o agro; para o governo, é disputa técnica que ainda pode ser revertida.

Oposição: veto como ataque ao agronegócio

Na leitura oposicionista, a UE teria tomado a “pior decisão possível contra o Agro do Brasil”, um movimento visto como potencialmente “devastador” para o setor exportador, já que o país perde o direito de vender carne bovina, de frango, equina, miúdos, peixes e mel ao bloco europeu. O discurso é de confronto direto: Flávio Bolsonaro “reage com firmeza ao veto da UE à carne brasileira e aponta a solução”, em tom descrito como “curto e grosso” e “indo direto ao ponto”.

Nesse enquadramento, o episódio não é um problema de regulação sanitária, mas um ataque político e econômico a um dos pilares da economia nacional: o agronegócio exportador.

Governo: disputa regulatória, não crise sanitária

O campo governista tenta desinflar o caráter de escândalo. Explica que a decisão europeia nasce de “uma disputa regulatória e sanitária” sobre o uso de antimicrobianos, e não de “suspeitas de contaminação ou problemas sanitários identificados na carne brasileira”. Para Bruxelas, o Brasil não apresentou “garantias consideradas suficientes” de controle desses medicamentos ao longo da cadeia produtiva, por isso foi retirado da lista de exportadores autorizados de carne bovina, aves, equina, pescado, mel e tripas.

O governo Lula diz ter sido pego de surpresa, afirma que já enviou documentação técnica e aposta em negociações até setembro para reverter o veto. Geraldo Alckmin promete “empenho” para recolocar o Brasil “na lista de todas as carnes” e destaca avanços com China e EUA — como o reconhecimento da condição de país livre de febre aftosa e a carne brasileira “totalmente fora da tarifa” no mercado norte-americano — para mostrar que o país não está isolado comercialmente.

No choque de narrativas, a mesma decisão da UE é, ao mesmo tempo, símbolo de “guerra contra o agro” e sinal amarelo sobre a capacidade do Estado brasileiro de provar, com papel e sistema, o que o campo diz fazer na prática.

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