PF deflagra operação contra venda de sentenças em Mato Grosso

A Polícia Federal deflagrou a Operação Gemini para investigar um esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Entre os alvos estão o desembargador Dirceu dos Santos, que já estava afastado, e o deputado estadual Faissal Calil (PL).
PF deflagra operação contra venda de sentenças em Mato Grosso

PF deflagra operação contra venda de sentenças em Mato Grosso A Operação Gemini expõe um Judiciário sob suspeita e um campo político em guerra de narrativas: para uns, é mais um capítulo do “balcão de negócios” togado; para outros, a prova de que instituições de controle ainda funcionam.

O que todos concordam

Há consenso básico nos relatos: a PF mirou o desembargador afastado Dirceu dos Santos, o deputado estadual Faissal Calil (PL-MT) e o advogado Bruno Castro por suspeita de venda de sentenças, corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro no TJ-MT. As buscas incluíram residências, quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático e rastreio de uma “vultosa movimentação marginal”, com mais de R$ 3,2 milhões em saques e depósitos em espécie ligados a empresas do agronegócio com processos no tribunal.

Enfoque da oposição: “bolsonarista” no centro do esquema

Veículos oposicionistas destacam o rótulo ideológico de Faissal. A Revista Fórum sublinha que o “deputado bolsonarista Faissal Calil (PL-MT)” é um dos alvos da PF, ao lado de Dirceu Santos e do advogado Bruno Oliveira Castro, em um “esquema criminoso de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro”. A narrativa associa o caso a ruralistas e empresas do agronegócio como principais corruptores.

A Revista Oeste vai além e reconstrói o histórico: Dirceu já havia sido afastado pelo CNJ após indícios de propina e movimentação suspeita de R$ 14,6 milhões em cinco anos, em um contexto de série de afastamentos e até assassinato de advogado que teria exposto o “balcão de negócios”.

Enfoque governista: instituições em ação, defesa aberta

Já veículos alinhados ao governo enfatizam a mecânica institucional. O UOL descreve que a PF age com base em dados de celulares, relatórios do Coaf e informações do CNJ, apontando Faissal como operador financeiro de Dirceu, usado para receber propina, quitar gastos familiares e lavar dinheiro via triangulação imobiliária simulada. A Folha ressalta que os mandados partiram do STJ e cita a PF falando em quitação de “passivos familiares” e “triangulações imobiliárias simuladas com terceiros (‘laranjas’)”.

O Brasil247 destaca a incompatibilidade patrimonial de Dirceu — R$ 14,6 milhões movimentados em cinco anos — e o fato de ele já responder a procedimento no CNJ. Em contrapartida, registra a versão de Faissal, que diz ter colaborado, entregado o celular e nega qualquer participação em venda de decisões, alegando não manter contato com o desembargador desde que entrou na política.

No fim, as narrativas divergem no foco — ideologia, agronegócio, engrenagens institucionais — mas convergem em um diagnóstico incômodo: quando a sentença vira mercadoria, todo o sistema político-judicial entra no banco dos réus.

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