PF deflagra operação contra venda de sentenças no TJ de Mato Grosso

A Polícia Federal deflagrou a Operação Gemini para investigar um esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL), suspeitos de corrupção e movimentações financeiras ilícitas.
PF deflagra operação contra venda de sentenças no TJ de Mato Grosso

PF deflagra operação contra venda de sentenças no TJ de Mato Grosso A Operação Gemini, da PF, mira o coração do Judiciário de Mato Grosso e expõe algo maior que um escândalo local: a disputa política sobre quem se beneficia – e quem lucra – com a venda de sentenças.

De um lado, veículos de oposição descrevem um TJ-MT contaminado por um “esquema de suposta venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro”, com foco institucional e pouca personalização dos alvos. A ênfase está na estrutura: rede de empresários e advogados, quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático e possíveis crimes de “corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro”. O recado político é claro: o problema é sistêmico e atinge o Judiciário como poder.

Do outro lado, a imprensa mais alinhada ao governo põe nome, sobrenome e partido logo no título: “juiz e deputado do PL são alvo da PF por suspeita de venda de sentença”. A narrativa é mais detalhada e personalizada: Dirceu dos Santos, já afastado pelo CNJ, teria usado o deputado estadual Faissal Calil (PL) como operador financeiro para receber propina, pagar despesas da família e lavar dinheiro por meio de “triangulação de transações imobiliárias simuladas com terceiros”. A PF fala em movimentação de R$ 3,2 milhões em espécie, parte vinda de empresas do agronegócio com processos no TJ-MT.

Outras publicações reforçam essa linha, destacando que a PF cumpre buscas contra o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado Faissal Calil para aprofundar a investigação sobre a “suposta comercialização de decisões judiciais e a prática de lavagem de dinheiro”. Em paralelo, ganha relevo o histórico de Dirceu: afastamento pelo CNJ, suspeitas de nepotismo e vantagens indevidas, além de movimentação de cerca de R$ 14,6 milhões em cinco anos, considerada incompatível com seus rendimentos.

Em comum, todos os lados reconhecem: a PF subiu um degrau e entrou na zona mais sensível da República – onde sentença pode virar mercadoria e toga, ativo político.

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