30ª Parada do Orgulho LGBT+ de SP destaca importância do voto
30ª Parada do Orgulho LGBT+ de SP destaca importância do voto A Avenida Paulista virou urna antes de virar festa: na 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de SP, a disputa não era só por espaço na rua, mas por espaço na política.
De um lado, a Parada como trincheira democrática
Veículos alinhados ao governo descrevem a Parada como um ato de resistência em ano eleitoral, em que o tema “A rua convoca, a urna confirma” liga diretamente os corpos na rua ao voto na urna. Organizadores e artistas insistem que “é ano de eleição, vote em pessoas que nos apoiam”, defende Salete Campari, cobrando renovação no Congresso e mais representantes LGBT+ no Legislativo.
Reportagens destacam o histórico da Paulista como berço de conquistas – da união estável à criminalização da LGBTfobia – que “passaram pela Av. Paulista antes de chegar aos tribunais”. O manifesto da Parada reforça que, sem ocupar a política, decisões judiciais ficam vulneráveis e é preciso “um compromisso do nosso Legislativo para assegurar esses direitos na letra da lei”.
Mesmo com queda de cerca de 60% no patrocínio privado, a multidão ocupou a Paulista com verde e amarelo ressignificados, em um “país de todas as cores” que tenta tomar de volta os símbolos nacionais apropriados pela extrema direita.
Do outro, a crítica ao palanque eleitoral
Na imprensa de oposição, o tom é outro: a Parada teria “trocado bandeiras por urna inflável” e se transformado em instrumento de “reforço de discurso eleitoral”, com o personagem Votinho puxando campanha contra a abstenção. A Gazeta do Povo enfatiza a urna gigante e o ataque direto ao PL, retratado como “Partido de Lúcifer”, e lê o evento como movimento explícito “em busca de votos em ano eleitoral” e contra a família Bolsonaro.
Enquanto isso, a própria direita segue sua agenda paralela: Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas preferem a Marcha para Jesus e palanques religiosos, enquanto Eduardo Bolsonaro convoca para novo ato pró-candidatura em SP nas redes.
O resultado é um país rachado até no asfalto: de um lado, quem vê na Parada uma escola de democracia; de outro, quem enxerga apenas mais um comício – ambos mirando a mesma urna que, neste ano, subiu ao carro de som e virou protagonista.
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