Papa Leão XIV celebra missa para mais de um milhão de fiéis em Madri
Papa Leão XIV celebra missa para mais de um milhão de fiéis em Madri A mesma missa, dois enquadramentos: em Madri, mais de 1,2 milhão de pessoas diante do Papa Leão XIV; na imprensa, uma batalha de narrativas sobre fé, política e poder.
De um lado, veículos próximos à oposição sublinham o tom de cobrança espiritual e o desconforto político que a visita provoca. A Revista Oeste destaca que o Papa exigiu que os cidadãos “retomem a prática religiosa ativa” e deixem de tratar o catolicismo como mera lembrança histórica, num continente em que o catolicismo sofre “desidratação severa”. A mesma linha aparece na Gazeta do Povo, que ecoa o apelo para que a religiosidade espanhola “não seja um museu do passado, mas uma escola de fé” e lembra que ninguém pode “se ajoelhar diante de Deus e desprezar o irmão”. Nesse enquadramento, a homilia é um puxão de orelha num país secularizado e num governo socialista em tensão com a hierarquia católica.
Do outro, a imprensa alinhada ao governo explora o lado soft power do pontífice. CartaCapital fala em mais de um milhão nas ruas e ressalta o Papa como “força unificadora” num país dividido, enquanto a Folha de S.Paulo acentua a mensagem social: Deus “está ao lado dos pobres, dos oprimidos, dos que estão sozinhos e abandonados” e a fé deve ser vivida ajudando os outros. Brasil247 amplia o foco para a crítica à polarização política e o enfrentamento dos abusos sexuais na Igreja, e o UOL/AFP reforça o apelo à “renovação da fé” e à unidade — “temos que ser todos irmãos, todos unidos”, diz um fiel, reproduzido pela agência.
Em ambos os campos, porém, um ponto converge: a Espanha deixou de ser unanimemente católica (de 90% para 56,1% de identificação religiosa em meio século) — e Leão XIV escolheu Madri como palco para lembrar que, gostem ou não, religião ainda é peça central no xadrez público espanhol.
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