Peru vai às urnas para eleição presidencial entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez
Peru vai às urnas para eleição presidencial entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez O Peru chega ao segundo turno presidencial como laboratório extremo da polarização latino-americana: de um lado, a promessa de “blindagem” econômica; do outro, a ruptura com o legado do fujimorismo. No meio, um sistema político em frangalhos e um Congresso que derruba presidentes em série.
De fora para dentro, a mídia liberal‑econômica lê a eleição como um teste de estresse institucional sobre uma economia que continua sólida apesar do caos político. A Gazeta do Povo destaca que o país mantém bons indicadores e um banco central autônomo, em uma eleição que “testa ‘blindagem’ da sua economia”. Esse bloco vê Keiko Fujimori como garantia de continuidade do modelo de mercado e do regime de metas de inflação, enquanto enxerga em Roberto Sánchez o risco de maior intervenção estatal e mudança constitucional.
Na imprensa de direita, a narrativa é de cruzada ideológica. A Revista Oeste descreve o pleito como marcado por “polarização e crise política” e enfatiza Keiko defendendo economia de mercado, linha dura contra o crime e o uso da Venezuela como espantalho: ela alerta contra um modelo que prometeu prosperidade e entregou “pobreza, insegurança e a saída de milhões de venezuelanos”. Outro veículo alinhado reforça o arco de apoios internacionais de direita em torno de Keiko, de María Corina Machado a Abelardo de la Espriella, vendendo a candidata como peça de um bloco “democrático” regional contra a esquerda.
Do outro lado do ringue, a imprensa progressista enquadra o voto como um referendo contra o retorno do fujimorismo. A Fórum fala em disputa entre a esquerda e o “retorno do fujimorismo”, com dois projetos “radicalmente distintos” e um país em “crise permanente”. O Vermelho resume: a “disputa contra o fujimorismo mobiliza eleição decisiva”, opondo Sánchez, herdeiro de setores populares e indígenas que exigem reformas estruturais, a uma direita associada a violações de direitos humanos e concentração de poder.
Veículos alinhados à esquerda ainda apontam o sistema como ator político ativo. O Brasil 247 destaca que o eleito herdará um Congresso que destituiu quatro presidentes em dez anos e dá voz à denúncia de Roberto Sánchez de que sua ida a julgamento na véspera do pleito é “manobra política” para frear uma candidatura em ascensão.
Nos meios mais tradicionais, como Folha de S.Paulo e AFP via CartaCapital, o recorte é mais estrutural: um déjà vu em que o país “se acostumou a viver os mesmos impasses” e escolhe o nono presidente em dez anos “farto do caos político e da criminalidade desenfreada”. A Folha ressalta o poder extraordinário do Congresso, transformado em motor da instabilidade, enquanto CartaCapital sublinha o cansaço de eleitores que veem, de um lado, o fantasma do “comunismo” agitado por Keiko e, de outro, a promessa de Sánchez de atacar a corrupção de dentro do próprio Estado.
Em comum, todos os lados reconhecem um país exausto, com instituições desacreditadas e uma disputa nivelada por baixo – em que nem a direita pró‑mercado, nem a esquerda reformista, conseguem encantar a maioria. A diferença está no diagnóstico da saída: preservar o casco econômico ou explodir o sistema político que o sustenta.
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