Disputa acirrada marca segundo turno das eleições presidenciais no Peru

Os peruanos foram às urnas para o segundo turno da eleição presidencial, disputado entre a candidata de direita Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez. A eleição ocorre em um cenário de profunda crise política, instabilidade institucional e polarização, com pesquisas indicando um empate técnico entre os concorrentes.
Disputa acirrada marca segundo turno das eleições presidenciais no Peru

Disputa acirrada marca segundo turno das eleições presidenciais no Peru A eleição presidencial no Peru parece menos uma escolha de futuro e mais um referendo sobre qual crise o país está disposto a administrar primeiro: a política, a econômica ou a institucional. No duelo Keiko Fujimori x Roberto Sánchez, o segundo turno é um sintoma de um sistema exausto, não a cura.

De um lado, veículos mais à direita descrevem um país “sob crise política” e em “clima de polarização”, com destaque para a década de instabilidade, oito presidentes e uma disputa “entre esquerda e retorno do fujimorismo”. Nessa leitura, a eleição é um plebiscito entre a economia de mercado e um projeto de guinada estatizante, com Keiko prometendo estabilidade, combate ao crime e usando a Venezuela como espantalho político. Ao mesmo tempo, essa imprensa ressalta a “blindagem” da economia peruana, elogiada pelo FMI por manter crescimento, baixa inflação e um banco central autônomo apesar do caos político.

Já os meios mais alinhados à esquerda e ao campo governista enfatizam o fosso entre elites políticas e o “Peru profundo”: Sánchez é apresentado como herdeiro de Pedro Castillo e porta-voz do mundo rural esquecido, enquanto Keiko carrega o peso do sobrenome Fujimori, associado à ditadura e a crimes contra a humanidade. Fala-se de um país que escolhe entre a “filha de Fujimori e o herdeiro de Pedro Castillo” em meio a uma crise de representatividade, informalidade recorde e um eleitorado saturado de corrupção e violência.

No campo jurídico, a decisão de levar Sánchez a julgamento às vésperas da votação é lida, na oposição, como fato grave sobre financiamento partidário; na imprensa governista, ecoa o discurso de “perseguição política” e manobra para “enfraquecer sua candidatura”.

Há, porém, um ponto de convergência rara: quase todos concordam que quem vencer terá de enfrentar um Congresso hiperempoderado, que destituiu quatro presidentes em dez anos e é rejeitado por mais de 90% da população. A verdadeira disputa, sugerem esses relatos, não é só entre direita e esquerda — é entre qualquer presidente e um sistema que parece desenhado para não deixar ninguém governar.

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