Ponte de R$ 36 milhões desaba no Acre um dia após ser interditada
- Quanto custou, quanto durou
- Oposição: símbolo de desperdício e impunidade
- Governo: culpa na construtora, perícia e Justiça
- No meio do fogo cruzado, as vítimas
Ponte de R$ 36 milhões desaba no Acre um dia após ser interditada Uma ponte nova, caríssima e interditada por risco estrutural desaba no dia seguinte e joga quatro pessoas no rio. No Acre, a queda da Frei Paolino Baldassari virou menos um acidente e mais um exame de consciência sobre obras públicas, responsabilidade técnica e disputa política.
Quanto custou, quanto durou
O básico, todos concordam: a ponte em Sena Madureira custou cerca de R$ 36 milhões, tinha 232 metros e pouco mais de dois anos de uso quando 60% da estrutura cedeu, deixando quatro feridos, dois em estado grave. Ela era uma das principais ligações entre centro e segundo distrito da cidade.
Oposição: símbolo de desperdício e impunidade
Veículos de oposição tratam o episódio como mais um retrato do colapso de infraestrutura cara e mal fiscalizada. Uma ponte de “mais de R$ 35 milhões” que desaba dois anos e meio depois de inaugurada é descrita como “inacreditável o que está acontecendo no Brasil”, com cobrança de investigação sobre fiscais do Estado, engenheiros e empresa. Outros ressaltam que a obra de R$ 36 milhões ruiu “apenas dois anos após a inauguração”, sublinhando o contraste entre o valor investido e a rapidez do colapso.
Governo: culpa na construtora, perícia e Justiça
Do lado governista, o foco é deslocar a responsabilidade para a empreiteira. A governadora Mailza Assis promete que a empresa “será responsabilizada” e lembra que a ponte ainda estava em período de garantia, em contrato de modalidade integrada, no qual a construtora “assumiu integralmente a responsabilidade pelo projeto básico, projeto executivo e execução da obra”. O governo diz que vai à Justiça para obrigar a Construtora Cidade a reconstruir a travessia, custear danos e até ter bens bloqueados. Reportagens alinhadas ao Planalto reforçam que a ponte havia sido interditada na véspera e que os feridos estavam na área “irregularmente”.
No meio do fogo cruzado, as vítimas
Enquanto governo e oposição trocam narrativas, os sobreviventes contam a queda em primeira pessoa. “Fui na frente para indicar o local e, nesse momento, a ponte desabou. Caí direto no rio…”, relata o caminhoneiro Weverton Murieta. Ele diz ter “batido no fundo do rio” antes de conseguir voltar à superfície e procurar o colega preso nos escombros.
De um lado, a denúncia de desperdício e impunidade; de outro, a promessa de responsabilizar a construtora. No centro, uma ponte cara demais para ter durado tão pouco — e uma cidade que, por enquanto, ficou sem travessia.
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