União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro
- O argumento europeu: saúde acima do bife
- Brasília reage: surpresa, lobby técnico e ameaça de troco
- Oposição e agro: tiro no pé e atraso de anos
- No açougue brasileiro: alívio no preço? Nem tanto
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro A guerra da carne está aberta: de um lado, Bruxelas brandindo o princípio da precaução sanitária; do outro, Brasília acusando exagero regulatório e preparando retaliações. No meio, até US$ 2 bilhões em exportações de proteínas animais pendurados no gancho.
O argumento europeu: saúde acima do bife
A União Europeia tirou o Brasil da lista de países que cumprem suas regras contra o uso de antimicrobianos na pecuária e, com isso, veta a importação de carne bovina, frango, pescado, mel e outros produtos a partir de 3 de setembro. Segundo a Comissão Europeia, o país não apresentou “garantias” de que respeita as normas que proíbem antibióticos como promotores de crescimento e o uso de substâncias reservadas para infecções humanas. Enquanto Argentina, Paraguai e Uruguai seguem autorizados a vender ao bloco, o Brasil foi o único retirado por falhas em normas sanitárias.
Para Bruxelas, o caso não é um escândalo de carne estragada, mas de papelada e rastreabilidade: faltaram relatórios e comprovação robusta de fiscalização ao longo da cadeia.
Brasília reage: surpresa, lobby técnico e ameaça de troco
O governo Lula diz ter recebido a decisão com “surpresa” e agora corre para reverter o veto com uma ofensiva diplomática liderada pelo Itamaraty, reforço na fiscalização e novas garantias técnicas. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, afirma que o Brasil tem “sistema sanitário robusto” e que espera ser tratado como “bom parceiro” – mas avisa que não descarta medidas de reciprocidade se entender que o bloco extrapolou.
Ao mesmo tempo, o próprio governo admite que só em abril baniu parte dos antimicrobianos proibidos na UE, deixando outros ainda permitidos no país, o que exigirá proibições adicionais ou um caro sistema de rastreabilidade para atender Bruxelas.
Oposição e agro: tiro no pé e atraso de anos
Na oposição, o tom é menos diplomático e mais acusatório: a exclusão é descrita como uma “decisão terrível” que atinge diretamente o agronegócio brasileiro e poderia ter sido evitada se o país tivesse se adequado a exigências conhecidas desde 2019. Publicações críticas ao governo ressaltam que a UE apenas puniu a ausência de relatórios sanitários e o atraso na adaptação às regras de antimicrobianos, enquanto vizinhos do Mercosul fizeram a lição de casa e mantiveram acesso ao mercado europeu.
Aqui, governo e oposição até convergem em um ponto: o impacto é pesado. Estão em risco cerca de US$ 1,8 bilhão a US$ 2 bilhões anuais em carnes exportadas, com a Europa como segundo maior destino das proteínas brasileiras.
No açougue brasileiro: alívio no preço? Nem tanto
Se há quem espere churrasco mais barato com a carne “sobrando” no mercado interno, analistas lembram que a UE hoje responde por fatia relativamente pequena das exportações totais, e a conta não deve chegar com desconto aos consumidores. Já para frigoríficos e pecuaristas integrados às exigências premium da Europa, o estrago é imediato – e o recado de Bruxelas, inequívoco: sem rastreabilidade e controle de antibióticos, não tem filé no mercado rico.
https://resumosbrasil.com/stories/019ea034-36a0-1185-726b-044fab6576db
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