Moraes encaminha à PGR pedido de Mauro Cid para extinção de pena
Moraes encaminha à PGR pedido de Mauro Cid para extinção de pena Alexandre de Moraes transformou um detalhe de execução penal em mais um cabo de guerra político: o pedido da defesa de Mauro Cid para extinguir sua pena agora está nas mãos da PGR, e cada campo lê o gesto de um jeito distinto.
De um lado, veículos alinhados ao governo tratam o movimento como ato técnico e protocolar. Ressaltam que Moraes apenas determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste em até cinco dias sobre o recurso da defesa, que tenta descontar da pena o período de prisão preventiva e o tempo sob medidas cautelares impostas pelo STF. Enfatizam que o pedido ataca uma decisão anterior do ministro, que já havia rejeitado a extinção da pena de dois anos prevista no acordo de colaboração premiada de Cid.
A oposição, porém, lê o mesmo despacho como parte de um embate maior sobre garantias individuais. Para a Revista Oeste, a defesa sustenta que as severas restrições de locomoção que duram há mais de dois anos e cinco meses afrontam os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e dignidade humana. A publicação detalha o “pacote” de medidas: recolhimento noturno obrigatório, monitoramento por tornozeleira, perímetro fixo e afastamento das funções no Exército, argumentos usados para pedir a extinção da punibilidade com base na Lei de Execução Penal, no Código Penal e no Tema 1.155 do STJ.
Outra leitura oposicionista, da Gazeta do Povo, reforça o caráter de teste jurídico: a defesa insiste que houve “efetiva restrição de locomoção” por mais de dois anos e cinco meses e quer que isso seja computado como cumprimento de pena. O jornal lembra que o procurador-geral Paulo Gonet já se manifestou antes contra a tese, citando que o próprio STF não admite reduzir pena por medidas cautelares diversas da prisão, e defendeu apenas a detração do período de prisão preventiva.
No centro, Moraes posa de árbitro técnico; nas bordas, governo e oposição disputam a narrativa sobre se Mauro Cid é um delator já punido “duas vezes” ou um condenado tentando encurtar demais a própria pena.
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