Governo brasileiro estuda reação ao veto da UE à carne

O governo brasileiro está negociando com a União Europeia para reverter o veto à importação de carne, mas não descarta aplicar medidas de reciprocidade. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, afirmou que o Brasil confia em seu sistema sanitário e espera resolver a questão através do diálogo.
Governo brasileiro estuda reação ao veto da UE à carne

Governo brasileiro estuda reação ao veto da UE à carne O veto da União Europeia à carne brasileira virou teste de nervos em Brasília: o governo quer resolver na conversa, mas já prepara munição caso o diálogo emperre.

De um lado, a ala que prega a diplomacia técnica. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, insiste que a prioridade é reverter a decisão “por meio de negociação técnica” com Bruxelas, baseada na “robustez” do sistema sanitário brasileiro. Para ele, a missão é elucidar as dúvidas europeias sobre o suposto “uso excessivo de antimicrobianos na pecuária” e colocar o Brasil de volta na lista de exportadores autorizados.

Mas o tom muda quando entra em cena a palavra “parceria”. O mesmo secretário admite que o país “não descarta adotar medidas de reciprocidade” se concluir que não está sendo tratado como parceiro no comércio internacional. Em outra entrevista, reforça a lógica de via dupla: “Tudo no comércio internacional é uma via de mão dupla. A gente espera ser bem tratado pelos europeus para também continuar tratando os europeus bem”.

Na prática, governo e agronegócio caminham alinhados: ninguém quer perder o mercado europeu, mas também não quer posar de fraco. O Ministério da Agricultura trata o assunto como “tema de preocupação absoluta” e, ao mesmo tempo, se esforça para blindar outras frentes sensíveis, como a relação estratégica com os Estados Unidos, mantendo “os fluxos comerciais continuem funcionando” e os certificados sanitários intactos.

O contraste é claro: discurso moderado por fora, com bandeira do diálogo sanitário em riste; ameaça de retaliação por dentro, pronta para ser acionada se a UE insistir em tratar o Brasil mais como risco do que como parceiro.

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