União Europeia oficializa veto à importação de carne brasileira
União Europeia oficializa veto à importação de carne brasileira A carne brasileira virou bode expiatório de uma guerra que mistura saúde pública, protecionismo e diplomacia: a União Europeia tirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal e fecha a porteira em 3 de setembro.
De um lado, Bruxelas fala em ciência e segurança sanitária. O bloco alega que o Brasil não deu “garantias” de cumprimento das normas contra o uso de antimicrobianos na pecuária, que proíbem substâncias usadas como promotoras de crescimento e antibióticos reservados à medicina humana. A Comissão Europeia registra, em regulamento, que “não recebeu informações” de que o país teria aplicado as medidas necessárias até setembro, e lembra que outros exportadores – inclusive vizinhos do Mercosul e países como Índia, Nigéria e Tanzânia – enviaram comprovações e seguiram na lista.
Do outro lado, Brasília e o agro falam em surpresa, prejuízo bilionário e dois pesos, duas medidas. O governo diz ter sido pego de surpresa, promete “reverter a decisão” e manter “o fluxo de vendas” para um mercado com o qual negocia há 40 anos. Setor e governo destacam que a UE é o segundo maior destino da carne brasileira, com US$ 1,8 bilhão exportados em 2025, e que o país já começou a proibir substâncias como avoparcina e virginiamicina. A conta do veto pode passar de US$ 1,8 bilhão anuais em carnes e derivados.
A oposição internaliza o recado europeu: vê falha de gestão e atraso regulatório. Ressalta que a decisão se baseia na “falta de comprovação” de cumprimento das regras sanitárias e que Argentina, Paraguai e Uruguai seguiram habilitados, o que enfraquece o discurso de perseguição ao Brasil.
Há, porém, um ponto de convergência incômodo: todos reconhecem que o veto é também gesto político em plena implementação provisória do acordo UE–Mercosul, sob pressão de agricultores europeus. Entre saúde e proteção de mercado, a carne brasileira entrou no menu da geopolítica – e, por ora, saiu do prato europeu.
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