Raízen fecha acordo com credores para reestruturar dívida de R$ 65 bilhões
Raízen fecha acordo com credores para reestruturar dívida de R$ 65 bilhões A maior reestruturação extrajudicial de dívida da história corporativa brasileira promete salvar a Raízen de uma recuperação judicial — mas também expõe, em letras garrafais, o preço de anos de apostas erradas e juros altos.
O acordo: gigante, rápido e cirúrgico
De um lado, o enredo oficial e pró-mercado: a Raízen confirma um acordo extrajudicial que reorganiza cerca de R$ 64,7 bilhões em dívidas, com adesão de aproximadamente 75% dos credores, evitando a recuperação judicial e preservando a operação em larga escala da gigante de açúcar, etanol e combustíveis. Em outra formulação, o pacote é descrito como uma reestruturação de cerca de R$ 65 bilhões, envolvendo 19 bancos e 80 grandes detentores de títulos, na maior operação do tipo já feita no país.
O plano converte cerca de 45% do endividamento em ações, a um preço de R$ 0,25 por papel, e reprojeta os outros 55% em novos títulos, com opções de deságio e pagamento antecipado para credores menores. Na prática, o mercado troca dívida por equity, dilui o antigo desenho societário e compra tempo para a empresa.
Capital novo, velho problema
Shell injeta R$ 3,5 bilhões e se consolida como principal acionista, com cerca de 12% do capital, enquanto Rubens Ometto, via fundo Aguassanta, entra com R$ 500 milhões e mantém peso relevante no negócio de distribuição de combustíveis. Segundo análise citada pela XP, o aporte combinado é visto como “sinal de comprometimento dos acionistas com o turnaround”.
Ao mesmo tempo, a narrativa mais crítica lembra que a reestruturação só veio após apostas fracassadas em etanol e combustível de aviação, combinadas a juros altos e safras fracas, que derrubaram títulos da empresa e levaram a S&P a rebaixar a nota de crédito em sete degraus.
Próximo capítulo: fatiar para sobreviver
O plano também manda um recado de longo prazo: a Raízen terá de separar o negócio de processamento de cana da distribuição de combustíveis até o fim de 2027, redesenhando o grupo por dentro. O governo e o mercado podem vender a operação como caso-modelo de “cirurgia preventiva” em vez de UTI judicial. Mas a mensagem aos grandes grupos brasileiros é clara: alavancagem barata acabou — e a conta sempre chega.
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