PF planeja usar Interpol para rastrear fundos de Vorcaro para filme 'Dark Horse'
PF planeja usar Interpol para rastrear fundos de Vorcaro para filme ‘Dark Horse’ A guerra pelo bastidor de “Dark Horse” virou teste de estresse para a cooperação internacional — e para o futuro do bolsonarismo. De um lado, a Polícia Federal monta uma ofensiva técnico-jurídica com Interpol e quebra de sigilos; de outro, o campo bolsonarista tenta vender o filme como mero produto político-cultural, enquanto a base governista pinta o caso como ponta de um esquema de golpe financiado a dólar alto.
PF x bolsonarismo: o dinheiro por trás do filme
A PF quer usar a Difusão Prata da Interpol para rastrear e bloquear patrimônio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no exterior, incluindo cerca de R$ 61 milhões enviados a um fundo nos EUA sob o pretexto de financiar “Dark Horse”, filme sobre a campanha de Jair Bolsonaro em 2018. A ideia é colocar Vorcaro na lista da Interpol focada em bens, não em capturas, mirando justamente essas verbas para o longa.
Paralelamente, a corporação pretende pedir às autoridades americanas a quebra de sigilo do fundo Havengate, no Texas, que recebeu recursos de empresa ligada ao Banco Master. Investigadores desconfiam que o dinheiro teria pago despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA e alimentado tentativas de coação de autoridades brasileiras via governo Trump.
Progressistas sobem o tom
Na ala governista, ninguém trata o caso como um detalhe contábil. Lindbergh Farias cobra avanço imediato nas apurações sobre o financiamento do filme e avisa: “Não vamos descansar até que essa turma seja condenada e presa por todos os seus crimes!”. Ele afirma que o dinheiro de “Dark Horse” pode ter bancado Eduardo Bolsonaro e uma “campanha de coação” ao STF com ameaças de sanções internacionais e até intervenção militar estrangeira.
Pedro Uczai vai além da fronteira doméstica: diz que “democratas progressistas dos EUA estão muito sintonizados conosco” para investigar os R$ 61 milhões ligados a Vorcaro, preso por suspeita de fraudes de ao menos R$ 12 bilhões. A articulação em Washington mistura duas frentes: seguir o rastro do dinheiro do filme e reagir ao tarifaço de 25% proposto pelo governo Trump sobre exportações brasileiras, visto no PT como retaliação política a condenações por tentativa de golpe.
O que está em jogo
Enquanto a PF tenta transformar “Dark Horse” em mapa de rastreio financeiro global, o bolsonarismo luta para manter o roteiro de vítima da perseguição. Se os investigadores comprovarem que o documentário foi caixa-preta de operação golpista, o filme corre o risco de sair da prateleira de streaming para o arquivo de provas criminais.
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