PGR pede que investigação sobre compra de respiradores por Rui Costa retorne ao STF

A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a investigação sobre a compra de respiradores pelo Consórcio Nordeste, que envolve o ex-ministro Rui Costa, retorne à corte. O caso, que apura o pagamento de R$ 48,7 milhões por equipamentos não entregues, tramitava no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
PGR pede que investigação sobre compra de respiradores por Rui Costa retorne ao STF

PGR pede que investigação sobre compra de respiradores por Rui Costa retorne ao STF A disputa em torno dos respiradores do Consórcio Nordeste volta ao centro do tabuleiro jurídico e político: a PGR quer o caso de Rui Costa de volta ao STF, enquanto o histórico das decisões de controle aponta na direção oposta.

De um lado, a Procuradoria-Geral da República pisa no acelerador. A subprocuradora-geral Luiza Frischeisen pediu que o inquérito sobre a compra de 300 ventiladores por R$ 48,7 milhões, nunca entregues, deixe o STJ e retorne ao Supremo, sob o argumento de que, em mandatos sucessivos, vale o foro de maior instância — no caso, o STF para ministros de Estado. A mesma linha é relatada por veículos alinhados ao governo, que destacam que a investigação mira possíveis crimes licitatórios, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa ligados ao negócio com a Hempcare, contratada e paga antecipadamente, mas que não entregou os equipamentos.

Do outro lado, o passivo de decisões favorece Rui Costa. O Tribunal de Contas da União já havia afastado sua responsabilidade e arquivado o processo em relação a ele, ao mesmo tempo em que determinou a recuperação do prejuízo causado pela empresa privada. O próprio ex-governador e ex-ministro se apresenta mais como vítima do que como suspeito: já declarou ter sido “roubado em um momento de desespero para conseguir respiradores”.

A PGR tenta agora reverter a escolha anterior do próprio STF, quando o ministro Flávio Dino entendeu que a competência era do STJ, por se tratar de atos atribuídos a Rui Costa enquanto governador da Bahia, e não ministro. O resultado desse vaivém de foro não é apenas técnico: quanto mais o caso sobe e desce entre cortes, mais se alimenta a batalha política em torno de quem, afinal, deve responder pelo fiasco dos respiradores.

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