Eduardo Bolsonaro gera polêmica ao citar sistema Zelle dos EUA em debate sobre o Pix

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro gerou forte reação ao sugerir que o sistema de pagamentos americano Zelle, similar ao Pix, poderia ser usado como argumento em negociações com os EUA. Após críticas de que estaria submetendo a soberania brasileira, Bolsonaro recuou, afirmando ser pró-Pix e que sua fala foi mal interpretada, acusando seus opositores de "patifaria".
Eduardo Bolsonaro gera polêmica ao citar sistema Zelle dos EUA em debate sobre o Pix

Eduardo Bolsonaro gera polêmica ao citar sistema Zelle dos EUA em debate sobre o Pix Eduardo Bolsonaro transformou um debate técnico em teste de soberania: ao citar o Zelle americano como carta de negociação sobre o Pix em meio ao tarifaço de Trump, virou pivô de uma guerra narrativa sobre quem defende – e quem entrega – a infraestrutura financeira do país.

O que Eduardo disse – e o que diz que disse

Na entrevista à TMC, Eduardo afirmou que os EUA têm “mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos”, e que isso permitiria “ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”. Depois da reação violenta nas redes, ele recuou em vídeo, dizendo que “jamais” falou em substituir o Pix e chamando de “patifaria” as publicações que o acusam disso, além de reforçar a versão de que “o Pix é criado por Jair Messias Bolsonaro”.

Já a Gazeta do Povo sublinha o contraponto: o ex-deputado teria usado o Zelle como argumento em negociações, mas “não defendeu a substituição do Pix por uma plataforma estrangeira”, enfatizando que a controvérsia nasce mais da interpretação do que de uma proposta textual de troca.

Governo e oposição a ele: Zelle como símbolo de entreguismo

Do outro lado, veículos e lideranças alinhados ao governo tratam a fala como confissão de submissão. CartaCapital destaca que Eduardo sugeriu o Zelle, operado por instituições privadas, como barganha exatamente quando Trump coloca o Pix na mira de tarifas, e lembra que o sistema brasileiro virou “bandeira de soberania” no discurso de Lula. Brasil247 resume o estrago: Eduardo “deixou explícita a posição da família Bolsonaro contra o Pix” e reforçou a “traição da família Bolsonaro ao Brasil”.

Leonardo Sakamoto vai além e diz que Eduardo cruzou a linha entre ingenuidade e “ser útil ao adversário” ao sugerir que “o inegociável é negociável”, justamente quando o USTR dedica 16 páginas a atacar o Pix como suposta distorção de concorrência. Para ele, comparar o Pix – infraestrutura pública – ao Zelle, rede privada menos ágil e restrita, só joga mais lama sobre a campanha do irmão Flávio, o “Tariflávio”.

Esquerda ataca, Fórum foca na mentira

Gleisi Hoffmann crava a linha de ataque: enquanto Flávio tenta dizer que o Pix “é obra do seu pai”, Eduardo “quer trocar o nosso Pix” pelo Zelle como ponto de negociação para retirar uma taxação que eles mesmos ajudaram a articular, chamando o gesto de “nojento” e acusando a família de “servir aos interesses americanos”.

A Revista Fórum enfatiza outro flanco: a tentativa de reescrever a autoria do Pix. O site lembra que, ao responder à repercussão, Eduardo foi às redes dizer “Meu pai criou o PIX e eu sou pró PIX”, tese que contraria o fato de o sistema ter sido desenvolvido pelo Banco Central ao longo dos governos Lula e Dilma.

Pix x Zelle: comparação técnica une críticos

Curiosamente, a comparação técnica entre Pix e Zelle aproxima críticos de diferentes matizes. Reportagem da Fórum explica que o Zelle é uma rede privada criada por grandes bancos norte-americanos, integrada a apps bancários e focada em transferências P2P, enquanto o Pix é infraestrutura pública, operada pelo BC e de uso amplíssimo em pessoas físicas, empresas e governo. Brasil247 reforça: o Zelle, administrado pela Early Warning Services, funciona só dentro do sistema bancário americano, ao contrário do Pix, aberto e universalizado no país.

Na prática, até economistas liberais se alinham à defesa do Pix. Em publicação que viralizou, Renata Barreto afirma que, em comparação com Zelle e similares, “o Pix é INFINITAMENTE superior às ferramentas usadas nos EUA” e sonha em ver a tecnologia brasileira exportada para lá.

No fim, o episódio escancara o contraste: de um lado, bolsonaristas tentando transformar o Pix em marca de família e ficha de negociação com Washington; de outro, governo e críticos – de esquerda e de mercado – tratando a ferramenta como ativo estratégico nacional que não entra na pechincha diplomática.

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