Governo Lula reage a ameaças de tarifas dos EUA e pode acionar Lei da Reciprocidade
Governo Lula reage a ameaças de tarifas dos EUA e pode acionar Lei da Reciprocidade O aviso de tarifaço dos EUA virou combustível para uma guerra de narrativas em Brasília: de um lado, Lula fala em soberania e “reciprocidade”; de outro, a oposição acusa o Planalto de transformar risco econômico em palanque eleitoral.
Governo: tarifa é “absurdo” e caso de reciprocidade
Na versão oficial, Washington usa direitos humanos como biombo para protecionismo. O Planalto chamou de “um absurdo” associar a competitividade brasileira a insumos ligados a trabalho forçado e classificou a medida como “protecionista” e “unilateral”. A ameaça é concreta: entre a tarifa de 25% por “práticas injustas” e os 12,5% ligados a trabalho forçado, exportações brasileiras podem enfrentar até 37,5% de sobretaxa.
A resposta: menção explícita à recém-aprovada Lei da Reciprocidade Econômica, que permite contra-ataques proporcionais a países que discriminem o Brasil. Para Lula, não se trata só de comércio, mas de postura: o Brasil “não adotará mais a política de vira-lata diante das grandes potências” e “não pode aceitar” o tratamento dado pelos EUA.
Ao mesmo tempo, o Itamaraty testa o tom duro sem romper pontes: aposta no espaço de negociação aberto pela consulta pública na Seção 301 e na possibilidade de barrar ao menos a tarifa de 25%. O G7 na França vira palco ideal para um cara a cara entre Lula e Trump — mistura de diplomacia de corredor com teatro político interno.
Oposição: “guerra de narrativas” e tiro no pé diplomático
Já a oposição lê a crise ao avesso. Parlamentares bolsonaristas repetem que, por enquanto, há “sugestão”, não aplicação de tarifas, fruto de uma investigação que atinge dezenas de países, e não apenas o Brasil. Para esse campo, Lula estaria inflando o conflito para faturar politicamente.
Paulo Figueiredo acusa o presidente de insultar justamente quem vai decidir sobre as tarifas, sugerindo que “Lula QUER tarifa, está cavando a falta”. Alexandre Ramagem vai além: diz que a própria recomendação de sanções seria “resultado direto dos abusos e ilegalidades do STF, somados à leniência e incompetência do governo”, empurrando a conta para a institucionalidade brasileira e não para Trump.
Eduardo Bolsonaro, em modo caps lock, martela que “EUA NÃO TARIFOU O BRASIL” e fala em “guerra de narrativas” para deslegitimar o discurso de confronto soberanista do Planalto. No flanco conservador da mídia, o alerta americano é retratado como pressão capaz de “mudar o futuro de Lula”, mais como ameaça política do que como simples ruído comercial.
Convergência: todos jogam para a plateia
Curiosamente, governo e oposição concordam em um ponto: ainda há margem de negociação antes de qualquer tarifa de fato. A diferença é o uso que fazem desse interregno. O Planalto transforma a crise em vitrine de soberania e ameaça de reciprocidade; a oposição, em prova de isolamento diplomático e erro estratégico.
No meio do fogo cruzado, empresários contam prazos, olham para o G7 e torcem para que a retórica de ambos os lados não empurre a conta — agora muito real — para a indústria e o emprego no Brasil.
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