Reações políticas à operação que investiga produtora de filme sobre Bolsonaro

Uma operação da Polícia Civil de São Paulo que investiga um contrato da prefeitura com o Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora do filme "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro, gerou fortes reações políticas. O senador Flávio Bolsonaro e o prefeito Ricardo Nunes acusaram a ação de perseguição política, enquanto o governador Tarcísio de Freitas e a Associação dos Delegados de Polícia defenderam a autonomia e a legalidade da investigação.
Reações políticas à operação que investiga produtora de filme sobre Bolsonaro

Reações políticas à operação que investiga produtora de filme sobre Bolsonaro A operação da Polícia Civil de São Paulo que mira o contrato de R$ 108 milhões do programa Wi‑Fi Livre SP com o Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora do filme “Dark Horse”, virou menos caso de conectividade e mais de curto-circuito político.

De um lado, aliados de Jair Bolsonaro tentam emplacar a narrativa de perseguição. Flávio Bolsonaro fala em possível “perseguição estatal… para influenciar as eleições”, enquanto o prefeito Ricardo Nunes classifica a ação como “perseguição política” e “desrespeito à democracia”. Nunes também se empenha em blindar o ex-secretário de Inovação e Tecnologia, Delegado Bruno Lima, descrevendo-o como “super legalista, cuidadoso” nas contratações, “como foi com essa”.

Do outro lado, a cúpula policial e o governo paulista respondem que o problema não é ideológico, é contábil. A Associação dos Delegados de Polícia de SP enfatiza que a investigação segue o “rito processual e penal estabelecido na lei” e que “ninguém está acima da lei”. O presidente da entidade, André Santos Pereira, reforça que a operação é cumprimento de demanda do Ministério Público e que não se trata de perseguição, mas de “cumprimento do dever constitucional de apurar eventual irregularidade” em contratos públicos.

Tarcísio de Freitas, governador e aliado de Bolsonaro, opta por se afastar do discurso de vitimização. Para ele, “a operação da polícia é uma coisa em que a gente não interfere” e a corporação “tem autonomia para fazer as suas investigações… é uma instituição de Estado”. A operação Wi‑Fi apura suspeitas de sobrepreço, fraude, desvio e até lavagem de dinheiro envolvendo o ICB e a produtora do filme.

Enquanto bolsonaristas acusam um suposto complô para atingir o filme, delegados e o próprio governador tratam o caso como teste de fogo da autonomia da polícia — e da capacidade do sistema de controles de seguir o rastro de cada megabyte de dinheiro público.

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