Produção industrial brasileira cresce 0,7% em abril
Produção industrial brasileira cresce 0,7% em abril A indústria brasileira voltou a crescer em abril, mas o aparente fôlego esconde uma pergunta incômoda: estamos em retomada sólida ou apenas surfando um pico de petróleo e commodities?
De um lado, a narrativa oficial e governista fala em virada de ciclo. A produção industrial subiu 0,7% em abril frente a março, completando quatro meses de alta e avanço acumulado de 4,4%. A leitura é de “vigor da economia brasileira”, com o dado de abril (alta de 2,7% ante o mesmo mês de 2025) sendo apresentado como “mais uma surpresa positiva” que reforça o bom momento, em linha com o PIB do 1º trimestre, que cresceu 1,1%. Para esse campo, políticas de transferência de renda e isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil estariam sustentando a demanda e desmentindo previsões de recessão.
Olhar mais frio, porém, revela uma indústria puxada por poucos motores. Os números mostram que o setor está 4,7% acima do nível pré-pandemia, mas ainda 12,9% abaixo do recorde histórico de 2011. O grosso do avanço vem dos derivados de petróleo e biocombustíveis, com salto de 13,3%, e das indústrias extrativas, que cresceram 10,6% na comparação anual. Mesmo na variação mensal, extrativas e coque/derivados de petróleo sobem 3,1% cada, pelo quinto mês seguido, impulsionadas por óleo bruto, gás natural, minério de ferro, álcool etílico e óleo diesel.
Enquanto isso, uma fatia importante da indústria segue patinando: químicos (-3,9%), farmoquímicos e farmacêuticos (-6,0%), máquinas e equipamentos (-2,9%), veículos (-0,7%) e metalurgia (-1,0%) recuam em abril. O contraste é claro: a fotografia de curto prazo é boa, mas a radiografia estrutural segue mostrando um país mais dependente de petróleo e commodities do que de uma base industrial diversificada.
https://resumosbrasil.com/stories/019e8e2d-84af-2c57-7199-3ba4084053ed
Write a comment