Lula critica tratamento dos EUA e chama Marco Rubio de "latino-americano frustrado"
Lula critica tratamento dos EUA e chama Marco Rubio de “latino-americano frustrado” Lula transformou uma disputa tarifária em guerra de narrativas: de um lado, o Planalto tenta vender resistência soberana; do outro, oposição e bolsonarismo enxergam um desastre diplomático em câmera lenta.
Planalto: “não somos republiqueta”
Na reunião ministerial, Lula classificou o novo tarifaço dos EUA – que pode chegar a 37,5% sobre produtos brasileiros – como “inaceitável” e disse que o Brasil “não pode aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana”. G1 e Folha descrevem um presidente que se diz surpreendido, alegando que havia dado 30 dias para as equipes negociarem com Donald Trump e que soube das taxações primeiro pelas redes sociais, não por canais diplomáticos.
A imprensa alinhada ao governo ressalta o tom de enfrentamento, com Lula chamando o tarifaço de “inaceitável” e acusando adversários internos de “tentar trair o Brasil” por “interesses rasteiros” de disputa eleitoral. Em paralelo, ele mira Marco Rubio: o secretário de Estado seria um “latino-americano frustrado” que “não gosta da América Latina e muito menos do Brasil”.
Oposição: da “anti-diplomacia” ao “eixo do mal”
Do outro lado, comentaristas de direita pintam o quadro oposto. Paulo Figueiredo diz que “em meio à uma crise com os EUA, Lula resolve partir para a ofensa contra o homem mais poderoso da diplomacia americana. É a anti-diplomacia”. Rodrigo Constantino vai além: “Lula levou o Brasil para o eixo do mal…”, citando declaração de Rubio de que o Brasil já não seria um país amigável, ao lado de Venezuela, Nicarágua e Cuba.
Bolsonaristas ainda tentam virar o jogo moral: Eduardo Bolsonaro celebra que “Trump e @SecRubio não dão refresco a narcoterroristas” e sugere que há “muito peixe grande nessa fieira!”, conectando o endurecimento americano a uma agenda antidroga e antiautoritária vista com desconfiança em Brasília.
Enquanto o Planalto fala em soberania e traição interna, a oposição enxerga isolamento e erro de cálculo. No meio, fica o custo real: tarifas mais altas, menos competitividade – e uma relação com Washington que sai da diplomacia e entra na pancadaria retórica.
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