EMS lança 'Ozivy', versão brasileira do Ozempic, com preço menor

A farmacêutica EMS anunciou o lançamento do Ozivy, o primeiro medicamento à base de semaglutida produzido no Brasil, concorrente do Ozempic. A caneta terá preço de R$ 452, mas um programa de desconto reduzirá o custo mensal para R$ 287 nos primeiros meses de tratamento. O produto estará disponível nas farmácias a partir de 15 de junho.
EMS lança 'Ozivy', versão brasileira do Ozempic, com preço menor

EMS lança ‘Ozivy’, versão brasileira do Ozempic, com preço menor A estreia do Ozivy, versão brasileira do Ozempic, promete sacudir o mercado de semaglutida no país — mas o choque entre discurso de acesso e realidade dos preços continua evidente.

De um lado, a narrativa de vitória industrial e redução de custo domina. A EMS divulga que a “versão brasileira do Ozempic vai custar R$ 287 por mês” em seu programa de desconto, vendida como alívio imediato para o bolso de quem hoje paga perto de R$ 1.000 pelo tratamento mensal com semaglutida. A empresa reforça o marco: é a primeira caneta de semaglutida fabricada no Brasil, apresentada como um passo histórico da indústria nacional.

Mas basta olhar os números completos para ver um quadro menos glamouroso. Fora do programa, o concorrente brasileiro do Ozempic “chega às farmácias a partir de junho por R$ 452 a caneta”, com início das vendas em 15 de junho. O benefício de R$ 287 é, na prática, um preço médio promocional limitado aos três primeiros meses; depois disso, a própria EMS admite que a caneta passa a custar R$ 498 dentro do mesmo plano, o que coloca o “genérico nacional” bem longe da faixa popular.

O governo e setores alinhados enxergam o movimento como vitória regulatória e de concorrência: após o fim da patente, a Anvisa liberou que o preço máximo fosse o mesmo do Ozempic e do Wegovy, mas a EMS escolheu entrar pelo menos 30% mais barata, com um teto inicial de R$ 452 e mais de 500 mil canetas prometidas no primeiro ciclo de abastecimento.

Em comum, todos os discursos celebram o fato de o Brasil, finalmente, produzir sua própria semaglutida. A diferença está na régua de sucesso: para a indústria e autoridades, é avanço competitivo; para o paciente de baixa renda com diabetes tipo 2, é um progresso que ainda não cabe no orçamento.

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