China reconhece todo o Brasil como livre de febre aftosa

A China reconheceu oficialmente todo o território brasileiro como livre da febre aftosa sem vacinação. O anúncio, feito durante a visita do ministro Mauro Vieira a Pequim, representa um avanço comercial para o agronegócio brasileiro e fortalece as relações entre os dois países.
China reconhece todo o Brasil como livre de febre aftosa

China reconhece todo o Brasil como livre de febre aftosa A China abriu totalmente as portas ao boi brasileiro, mas a comemoração em Brasília esbarra num detalhe incômodo: o selo “livre de febre aftosa” não dissolve, por si só, as barreiras comerciais que mais doem no bolso do agro.

De um lado, o governo vende o anúncio de Pequim como vitória diplomática e sanitária. A China revogou a última restrição que ainda pesava sobre a região Norte, passando a reconhecer todo o território brasileiro como livre de febre aftosa e encerrando a diferenciação regional que ainda marcava as normas sanitárias chinesas. Para a ala governista, trata‑se de “avanço sanitário e comercial relevante para o Brasil, especialmente para a agropecuária nacional e para as relações econômicas entre Brasília e Pequim”.

Essa narrativa ganha ainda mais brilho porque o comunicado chinês saiu justamente durante a visita do chanceler Mauro Vieira, em momento de “aprofundamento das relações bilaterais” e de afirmação da China como maior parceiro comercial do Brasil. Em Brasília, a linha é clara: diplomacia funcionou, confiança sanitária foi consolidada e o país ganha musculatura no comércio internacional de carnes e outras commodities.

Do outro lado, a leitura mais fria do mercado lembra que, embora a China tenha reconhecido o Brasil como país livre da aftosa e “revogado uma série de medidas que restringiam a plena exportação de carne bovina”, o jogo está longe de ser totalmente favorável. O reconhecimento veio após a chancela da OMSA e um longo roteiro técnico — missão de inspeção em 2024, pedidos de informação extra e novos dossiês sobre erradicação e vigilância.

O ponto de atrito: permanece em vigor a salvaguarda chinesa que impõe cotas e tarifa de 55% para quem ultrapassar o limite, o que deve cortar em cerca de 10% as vendas externas de bovinos brasileiros, segundo o setor. Em resumo, o Brasil ganhou o selo, mas ainda briga pelo espaço na prateleira.

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