Polícia de SP investiga contrato da prefeitura com produtora de filme sobre Bolsonaro
Polícia de SP investiga contrato da prefeitura com produtora de filme sobre Bolsonaro Um contrato de Wi‑Fi na periferia de São Paulo virou cabo de guerra nacional: de um lado, polícia e aliados de Lula falam em desvio milionário para turbinar o filme bolsonarista “Dark Horse”; do outro, Nunes e o clã Bolsonaro gritam “perseguição política” e tentam blindar o longa.
Polícia e oposição: seguir o rastro do dinheiro
Relatório da Polícia Civil fala em “fundadas suspeitas” de que recursos da Prefeitura de São Paulo foram desviados para financiar Dark Horse por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG da mesma dona da produtora do filme, que funciona no mesmo endereço. A Operação Wi‑Fi mira um contrato que saltou de R$ 108 milhões para R$ 157,1 milhões, com indícios de sobrepreço, notas frias e ao menos R$ 26 milhões pagos sem serviço entregue. Promotores falam em possível direcionamento do chamamento público e pulverização de verbas por subcontratações privadas, inclusive para financiar a produção cinematográfica.
No entorno de Lula, a leitura é que “o cerco contra o clã Bolsonaro está se fechando”, conectando o caso a outras frentes sobre o financiamento de Dark Horse e pedindo cooperação internacional para rastrear o dinheiro. Parlamentares de oposição apontam ainda que o ICB já tinha contratos em outros governos aliados do bolsonarismo, como o GDF, sem respostas claras sobre a execução.
Nunes e bolsonaristas: tudo é Wi‑Fi, nada é cinema
Ricardo Nunes reage na defensiva. Ele diz que a prefeitura revisou o contrato e não encontrou “absolutamente nada de errado”, insistindo que os 3.200 pontos contratados estão instalados e funcionando: se a operação for por causa do filme, “é perseguição política” e “desrespeito à democracia”. Em outra frente, a gestão alega que o serviço segue sendo prestado e que todo o processo foi transparente, inclusive após uma “irregularidade grave” de R$ 930 mil que teria sido sanada antes da renovação do acordo até 2026.
Aliados do prefeito falam em “fogo cruzado” às vésperas da eleição e veem a ação como “desnecessária e midiática”, já que documentos do contrato seriam públicos. Nos bastidores, há queixa de “fogo amigo” da Polícia Civil de Tarcísio de Freitas, abrindo fissura dentro do próprio campo conservador.
Flávio Bolsonaro tenta emplacar a narrativa de que se trata de “pescaria probatória” e possível “perseguição estatal” para influenciar as eleições, reforçando que o contrato é antigo e não teria “nada a ver com o filme”. Ele garante “absolutamente nada de errado” na gestão Nunes e convida o público a assistir ao “maravilhoso” longa sobre o pai.
O ponto cego: a polícia de quem?
A contradição central exposta pela oposição é simples: se há “perseguição estatal”, ela viria da Polícia Civil de São Paulo, subordinada ao governador bolsonarista Tarcísio de Freitas, aliado tanto de Nunes quanto de Flávio. Colunistas lembram que, nesse cenário, Nunes acaba colocando “a polícia do amigo Tarcísio para brigar com o clã Bolsonaro”, transformando o discurso de perseguição em algo próximo de autoconspiração dentro do próprio bolsonarismo.
Enquanto isso, os investigadores recolhem celulares, HDs e notas fiscais em oito endereços, incluindo a secretaria municipal e a produtora. A prefeitura jura que só comprou Wi‑Fi. A oposição quer provar que também pagou cinema. A conta final, porém, quem pode ficar pagando é o contribuinte paulistano.
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