EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros Os EUA miraram o Brasil com um “tarifaço” de 25%, mas a disputa vai muito além de números: é guerra de narrativa, de soberania digital e de culpas cruzadas em plena era Lula x Trump.
De um lado, o USTR fala em práticas “irrazoáveis” do Brasil em comércio digital, etanol, propriedade intelectual e desmatamento, propondo sobretaxa de 25% com uma lista de exceções estratégicas. A investigação da Seção 301 conclui que atos brasileiros “oneram ou restringem” o comércio dos EUA, abrindo caminho para retaliação ampla, ainda que temperada por isenções a carnes selecionadas, frutas, minerais, fertilizantes, fármacos e aeronaves.
Planalto x Trump: extorsão ou correção?
Veículos alinhados ao governo tratam o movimento como revés político e pressão abusiva. Colunistas relatam diplomatas falando em “medidas de extorsão” do governo Trump, enquanto descrevem um grupo de trabalho bilateral que fracassou em chegar a um acordo apesar do “diálogo intenso” entre Lula e Jamieson Greer. Outra análise vê o tarifaço como parte de uma escalada que inclui a designação de facções brasileiras como terroristas, reforçando a pressão republicana sobre Lula.
Oposição: culpa de Lula, problema estrutural ou ambos?
Na imprensa mais crítica ao governo, a ênfase é que os EUA “acusam o Brasil de práticas desleais” e detalham violações em seis frentes, do favorecimento ao Pix a falhas no combate à pirataria e à corrupção. Outro texto sintetiza: a conclusão da investigação é “a pior possível”, responsabilizando o Brasil por práticas comerciais desleais e defendendo que o tarifaço “garantirá que as empresas americanas sejam tratadas de forma justa”.
Já à direita bolsonarista nas redes, o alvo é Lula – mas com um giro: Paulo Figueiredo insiste que a ação da USTR “sequer é um caso isolado: serão mais de 70 países na mira”, ironizando a histeria governista. Rodrigo Constantino amplifica o clima de cerco, falando em “NOVAS SANÇÕES” de Trump contra o Brasil ainda nesta semana.
Entre Washington, Planalto e oposição, o Brasil entra em julho com pouco tempo para negociar – e muito risco de virar dano colateral na cruzada tarifária trumpista.
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