Colômbia vai ao 2º turno com disputa entre extrema direita e esquerda

O primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia definiu uma disputa entre Abelardo de la Espriella, candidato de extrema direita, e Iván Cepeda, senador de esquerda apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro. Espriella liderou a apuração, e Petro contestou os resultados preliminares, alegando irregularidades e afirmando que só reconhecerá a contagem oficial da Justiça Eleitoral.
Colômbia vai ao 2º turno com disputa entre extrema direita e esquerda

Colômbia vai ao 2º turno com disputa entre extrema direita e esquerda A Colômbia saiu das urnas com um placar claro e um sistema eleitoral sob suspeita. De um lado, a extrema direita comemora a dianteira. Do outro, o governo e a esquerda dizem que o jogo pode ter sido manipulado nos bastidores digitais.

Números, narrativa e suspeitas

Nos fatos frios, Abelardo de la Espriella terminou o primeiro turno na frente, com cerca de 43% dos votos, contra aproximadamente 41% de Iván Cepeda, aliado de Gustavo Petro, levando a decisão para 21 de junho. A mídia governista fala em vitória da extrema direita, mas enfatiza que Cepeda liderou a campanha e chegou tecnicamente empatado.

Já Petro acionou o modo contestação. Ele rejeita o “pré-conteo” operado por uma empresa privada, alegando alterações de algoritmos que teriam inserido 800 mil registros fora do censo oficial e criado “dois censos” eleitorais. Para ele, só valem os números das comissões escrutadoras da Justiça.

Direita vê derrota do “socialismo”

Veículos de oposição no Brasil cravam que “a direita vence o primeiro turno” e tratam Espriella como “Milei colombiano” e versão local do modelo Bukele: liberalismo econômico duro e mão de ferro na segurança. A campanha de Espriella, que já vinha em alta, vende a eleição como cruzada contra a “tirania e o absolutismo”, agradecendo aos “mais de 10 milhões de colombianos” e prometendo “fazer história em 21 dias”.

Na direita brasileira, o resultado é celebrado como virada contra as pesquisas e prenúncio de derrota do “comunista”, em referência a Cepeda. Um influenciador resume o clima acusando Petro e seu campo político de “golpistas” por não aceitarem a pré-contagem.

Esquerda fala em golpe digital, direita em “vontade popular”

Sites próximos ao governo descrevem a eleição como referendo sobre a “paz total” de Petro, com um outsider ultradireitista que posa de “Bukele colombiano” enfrentando o herdeiro do primeiro governo de esquerda do país. Já a imprensa conservadora destaca que Espriella liderou com mais de 43% e que a participação cresceu, superando inclusive a votação de Petro em 2022, como sinal de “engajamento” popular pela guinada à direita.

No meio do fogo cruzado, uma parte do eleitorado vê com surpresa e medo um segundo turno “entre extremos”, dividida entre manter o projeto social de Petro ou apostar no tigre de ultradireita que promete prisão ou sepultura para criminosos.

A Colômbia caminha para 21 de junho com dois pleitos em paralelo: nas urnas, Espriella x Cepeda; no campo da narrativa, “fraude algorítmica” x “vontade popular”.

https://resumosbrasil.com/stories/019e83e0-9ee1-151e-7061-2fab86e6869c

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