Em Lisboa, Moraes defende regulação internacional das big techs

Durante o Fórum de Lisboa, o ministro do STF Alexandre de Moraes defendeu a necessidade de uma regulamentação internacional para as grandes empresas de tecnologia. Ele argumentou que as redes sociais não podem ser "terra de ninguém" e que o poder das plataformas representa um risco à soberania dos países e à democracia, citando até o Papa Leão XIV para reforçar seu ponto.
Em Lisboa, Moraes defende regulação internacional das big techs

Em Lisboa, Moraes defende regulação internacional das big techs Em Lisboa, Alexandre de Moraes tenta vender a ideia de um “código de trânsito” global para as big techs — enquanto a oposição brasileira enxerga no mesmo discurso o embrião de um sistema de censura planetária.

O que diz Moraes e quem o apoia

No Fórum de Lisboa, o ministro do STF defendeu que redes sociais e big techs deixem de ser “terra de ninguém”, com regras internacionais que preservem liberdade de expressão, mas controlem discursos criminosos e manipulação algorítmica. Ele citou o papa Leão XIV e a encíclica que pede “instrumentos normativos” para conter “efeitos nocivos do poder tecnológico”.

Para veículos alinhados ao governo, Moraes apenas vocaliza um consenso emergente: algoritmos não são neutros e concentram poder econômico e político inédito. A regulação, dizem, seria urgente para evitar que o “abuso criminoso” de uma “pseudoliberdade de expressão” destrua a própria democracia. A proposta é vendida como equilíbrio: preservar imprensa e liberdade de expressão, mas impor responsabilização a quem incentiva suicídio, crimes e discursos nazistas e fascistas.

O contra-ataque: censura global disfarçada

Do outro lado, a imprensa de oposição descreve o pronunciamento como um “discurso aterrorizante” e enxerga na retórica democrática um projeto de controle total. Para esse grupo, o histórico de decisões do STF em remoção de conteúdo e bloqueio de perfis prova que o risco não é teórico, mas de censura prévia e perseguição política.

Nas redes, o tom sobe ainda mais. Rodrigo Constantino reduz o ministro a um obcecado por censura: “Que tara esse sujeito tem com a censura!” A economista Renata Barreto ironiza a promessa de proteger democracia e liberdade: “Ah ufa, se ele disse que vai preservar a democracia e a liberdade de expressão, eu fico tranquila”. Já o deputado Alexandre Ramagem acusa Moraes de planejar “censura global” e uma “atuação mundial totalitária”, atrelando o projeto à tentativa de escapar de acusações na Justiça dos EUA.

Soberania versus soberania

Curiosamente, os dois lados empunham a mesma palavra: soberania. Moraes alerta que, sem regulação, serão as plataformas — e não os Estados — a ditar as regras do espaço público digital. A oposição rebate que uma arquitetura global de controle, liderada por cortes e organismos transnacionais, faria exatamente o oposto: esvaziar as jurisdições nacionais e as liberdades individuais em nome de uma democracia tutelada.

Entre o medo da “lavagem cerebral algorítmica” e o fantasma da censura togada, a batalha por quem regula a conversa pública online está apenas começando.

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